O BB Investimentos elevou a recomendação das units da Taesa (TAEE11) de neutra para compra, após a empresa de transmissão de energia anunciar a aquisição de cinco ativos operacionais controlados pela Energisa (ENGI11) por R$ 2,3 bilhões, incluindo dívida líquida de R$ 748 milhões.
A decisão do banco público foi motivada pela combinação entre a queda recente das cotações e a perspectiva de incremento no potencial de valorização trazida pela transação.
Uma aquisição estratégica em regiões sinérgicas
As cinco concessões estão localizadas nos estados de Goiás, Tocantins, Pará e Bahia — regiões onde a Taesa já opera outros ativos —, o que cria potencial relevante de sinergia operacional e de custos. Juntas, as concessões somam Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 291 milhões, acréscimo de 6,5% à RAP total consolidada da companhia.
“A aquisição retoma o bem-sucedido histórico de consolidação e expansão por aquisições que sempre esteve presente na estratégia da companhia, permitindo crescimento com ativos que já geram fluxo de caixa e abrem possibilidade para futura expansão via reforços e melhorias”, avalia o analista Rafael Dias, do BB Investimentos.
Em suas estimativas, assumindo margem Ebitda de 90% nos ativos adquiridos, a operação contribui com VPL de R$ 622,5 milhões, equivalentes a R$ 1,81 por unit — adicionando 4,2% ao potencial de valorização previamente estimado.
Safra vê negócio pequeno, mas com opcionalidades
Para o Safra, a transação é positiva para a Energisa e carrega opcionalidades para a Taesa, embora em termos menores. O múltiplo implícito de EV/Ebitda da operação foi de 10 vezes — acima dos 9,3 vezes estimados pelo banco para esses ativos e da média do segmento de transmissão, de 9,0 vezes.
“Vemos a transação como pequena, mas realizada em bons termos para a Energisa, devendo contribuir para a desalavancagem da companhia. Para a Taesa, a aquisição pode trazer oportunidades de crescimento futuro, como desenvolvimento de capex para melhorias e reforços, ganhos operacionais e sinergias em leilões futuros”, destaca o analista Daniel Travitzky, do Safra.
O banco estima que a venda reduz a alavancagem da Energisa em 0,2 vez dívida líquida/EBITDA, enquanto eleva a da Taesa em 0,5 vez. O Safra mantém compra para a Energisa e neutro para a Taesa.
Conclusão depende de aprovações regulatórias
O fechamento da operação está previsto para o segundo semestre de 2026 e ainda depende de aprovações do Cade, da Aneel, dos credores e dos acionistas em assembleia extraordinária a ser convocada. Tanto o BB quanto o Safra ainda não incorporaram integralmente os efeitos da transação em seus modelos.
“Ainda não incorporamos a estimativa de valor adicionado ao nosso preço-alvo, porém, frente à recente queda das cotações e à perspectiva de incremento em seu potencial de valorização com a transação anunciada, elevamos nossa recomendação para compra”, reforça Rafael Dias, do BB Investimentos.
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