A Ultrapar (UGPA3) avança em um movimento duplo de reorganização societária que pode redefinir sua estrutura de capital e sua estratégia de crescimento.
Segundo o Valor Pipeline, a companhia está em negociações para vender até 30% da Ultracargo ao fundo soberano de Cingapura, o GIC, e discute uma possível participação na Ipiranga com a Chevron – com avaliações que teriam chegado à casa dos R$ 40 bilhões para a distribuidora de combustíveis.
O objetivo é atrair sócios estratégicos para compartilhar investimentos e reposicionar o portfólio em direção a logística e infraestrutura.
Para os analistas Vicente Falanga e Ricardo França, do Bradesco BBI, a notícia revela uma distorção expressiva no valuation da companhia.
“A avaliação de R$ 40 bilhões citada para a Ipiranga pode incluir dívida. Hoje, o valor de firma da Ultrapar está em torno de R$ 42 bilhões, o que implica que o restante do portfólio estaria precificado em aproximadamente R$ 2 bilhões”, apontam os analistas.
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Em outras palavras: o mercado estaria pagando pelo conjunto da obra praticamente o mesmo que pagaria apenas pela Ipiranga – deixando Ultracargo, Ultragaz e demais ativos sem precificação relevante.
A conclusão dos analistas é direta: a Ultrapar “parece significativamente subavaliada” considerando esse cenário. A estratégia de parceiros também abre espaço para movimentos futuros.
“A estratégia também pode sustentar movimentos em logística, incluindo uma eventual transação envolvendo a Rumo (RAIL3), unidade de logística da Cosan (CSAN3)”, destacam Falanga e França – referência às negociações já em curso entre Ultrapar, Perfin e Cosan pela ferrovia.
A reorientação da Ultrapar em direção à logística e infraestrutura, combinada com a entrada de sócios de peso como GIC e Chevron, sinaliza uma companhia em transformação — e, segundo o Bradesco BBI, ainda não devidamente reconhecida pelo mercado.






