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Klabin: S&P vê queda do endividamento no horizonte

Klabin: S&P vê queda do endividamento no horizonte

A avaliação é da S&P Global Ratings, que projeta uma queda consistente da dívida da companhia entre 2026 e 2028

A Klabin (KLBN11) deve entrar em uma nova fase de sua trajetória financeira nos próximos anos, marcada pela redução gradual da alavancagem e pela geração mais robusta de caixa após a conclusão de seu ciclo mais intenso de investimentos. A avaliação é da S&P Global Ratings, que projeta uma queda consistente da dívida da companhia entre 2026 e 2028, sustentada pela redução dos desembolsos com expansão e pela estabilidade operacional dos negócios.

Segundo a agência de classificação de risco, a dívida líquida ajustada da fabricante de papel e celulose deve recuar cerca de R$ 2 bilhões em 2026, para aproximadamente R$ 29,4 bilhões. Com isso, o indicador de dívida ajustada sobre EBITDA deverá cair para 3,7 vezes no próximo ano, ante patamares superiores a 4 vezes observados nos últimos anos, alcançando cerca de 3 vezes até 2028.

A expectativa de desalavancagem ocorre após a conclusão dos principais projetos de expansão da companhia. A S&P estima investimentos de R$ 3,3 bilhões em 2026, com redução para R$ 2,8 bilhões em 2027 e R$ 2,5 bilhões em 2028, níveis considerados mais sustentáveis para a operação.

A diminuição dos gastos com capital deve contribuir para fortalecer a geração de caixa e ampliar a capacidade da empresa de reduzir o endividamento, embora em ritmo mais lento do que o previsto anteriormente devido aos impactos do câmbio sobre a dívida.

Flexibilidade operacional sustenta rentabilidade

A agência também destaca a capacidade da Klabin de adaptar seu portfólio de produtos às condições de mercado como um dos principais fatores de sustentação dos resultados.

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No segmento de celulose, a expectativa é de produção próxima de 1,57 milhão de toneladas em 2026, estabilizando-se em torno de 1,48 milhão de toneladas entre 2027 e 2028.

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Já nos negócios de papel e embalagens, o crescimento deve ser impulsionado pela entrada em operação plena da máquina de papel MP28, que deve elevar a produção de papel-cartão nos próximos anos.

A S&P projeta aumento dos volumes de kraftliner em 2026 para atender à demanda internacional, mas espera uma acomodação a partir de 2027, à medida que a companhia direciona a MP28 para a produção de papel-cartão e embalagens de papelão ondulado.

Segundo a análise, a possibilidade de alternar a produção entre papel kraft, papel-cartão e caixas de papelão ondulado permite à Klabin ajustar sua estratégia comercial de acordo com a demanda, protegendo margens e maximizando a rentabilidade em diferentes fases do ciclo econômico.

Margens devem permanecer estáveis

Apesar das incertezas no cenário global, a expectativa é de manutenção da rentabilidade operacional. A S&P projeta margens EBITDA próximas dos 36,7% registrados em 2025 ao longo dos próximos anos.

A estabilidade deve ser sustentada por uma gestão disciplinada de custos, com despesas operacionais entre R$ 3.200 e R$ 3.300 por tonelada, em linha com as metas da companhia.

A agência reconhece que as tensões geopolíticas continuam pressionando custos de energia e logística, mas avalia que a Klabin possui capacidade para mitigar esses impactos por meio de gestão ativa de receitas, reajustes comerciais e da maior participação de produtos de valor agregado em seu portfólio.

Rating segue limitado pelo endividamento

Apesar da perspectiva de melhora financeira, a S&P manteve uma visão cautelosa em relação ao perfil de crédito da companhia.

O rating da Klabin continua limitado pela combinação de escala inferior à de grandes concorrentes globais, como a Suzano, a CMPC e a Arauco, além do nível de alavancagem ainda considerado elevado para uma empresa do setor florestal.

A companhia possui classificação “BB+” pela agência, abaixo do grau de investimento. Ainda assim, a S&P afirma que o compromisso da administração com uma política financeira mais conservadora, adotada desde o final de 2024, pode abrir espaço para uma melhora da qualidade de crédito nos próximos anos.

A política estabelece como meta uma alavancagem entre 2,5 e 3,5 vezes fora dos ciclos de investimento e inferior a 3,9 vezes durante períodos de expansão. Caso a trajetória de redução da dívida seja mantida, a avaliação de crédito da companhia poderá se fortalecer gradualmente.