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Terras Raras no Brasil: Uma avenida de consolidação e aquisições

Terras Raras no Brasil: Uma avenida de consolidação e aquisições

BTG estima déficit potencial de oferta de terras raras pesadas de cerca de 30% até 2030, cenário que favorece projetos brasileiros com exposição a disprósio e térbio, como Aclara, Viridis e Meteoric

O Brasil deu um salto no mapa global das terras raras. A USA Rare Earth anunciou a aquisição da Serra Verde por US$ 2,8 bilhões em dinheiro e ações — transação que inclui US$ 300 milhões em caixa e aproximadamente 127 milhões de novas ações, com fechamento previsto para o terceiro trimestre de 2026. Para os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, do BTG Pactual, o negócio representa um divisor de águas para o setor no Ocidente.

O anúncio marca um marco significativo para a história das terras raras ocidentais“, afirmam os analistas, que acompanham o setor desde relatório temático publicado anteriormente. “Temos argumentado que o fornecimento ocidental, e particularmente o Brasil, está se tornando um player cada vez mais importante no mercado.”

Ativo estratégico e acordo de fornecimento

No centro da transação está a operação Pela Ema, ativo flagship da Serra Verde localizado no Brasil. Trata-se de um dos poucos projetos no mundo capaz de produzir as quatro principais terras raras magnéticas em escala fora da Ásia — com capacidade prevista de aproximadamente 6,5 mil toneladas de óxido de terras raras até 2027, ainda não totalmente atingida.

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O projeto é particularmente rico em terras raras pesadas, como disprósio e térbio — elementos estruturalmente escassos e críticos para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos e equipamentos de defesa.

Paralelamente ao acordo de aquisição, a Serra Verde firmou um contrato de fornecimento de 15 anos com um veículo de propósito específico apoiado pelos Estados Unidos, garantindo 100% de sua produção inicial.

“O negócio reforça os esforços de Washington para garantir cadeias de suprimento de terras raras fora da China”, destacam Correa, Arazi e Gotardo — país que ainda detém posição dominante no mercado global e tem utilizado essa vantagem estrategicamente.

Terras Raras Serra Verde 2
(Imagem: Divulgação/ Serra Verde)

Brasil como próximo alvo de consolidação

Para o BTG, o acordo pode ser apenas o começo.

Acreditamos que isso pode marcar o início de uma onda mais ampla de transações no setor, com empresas em estágio de desenvolvimento tornando-se alvos de aquisição à medida que os projetos avançam em direção à produção”, projetam os analistas.

O déficit potencial de oferta de terras raras pesadas pode chegar a 30% até 2030, segundo estimativas de mercado citadas no relatório. O Brasil está bem posicionado nesse contexto, com projetos como Aclara, Viridis e Meteoric oferecendo exposição relevante ao segmento.

Entretanto, os analistas ressaltam que a maioria dessas companhias ainda não conta com o respaldo de grandes mineradoras, “deixando espaço para maior consolidação”. A recomendação do BTG é de exposição diversificada ao setor.

“Em base específica por empresa, continuamos recomendando Aclara Resources e Viridis Mining and Minerals para investidores que buscam exposição ao tema”, concluem — classificando ambas como apostas de alto risco e alto retorno.

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