As seguradoras brasileiras devem apresentar uma temporada de resultados sem grandes destaques no segundo trimestre de 2026. Embora a sinistralidade permaneça sob controle e sem eventos relevantes que pressionem os índices de perdas, o crescimento fraco dos prêmios emitidos deve limitar o desempenho financeiro das companhias, segundo avaliação do banco Safra.
Na visão dos analistas, a principal dificuldade continua sendo a desaceleração das receitas nas principais linhas de seguros distribuídos por bancos, como seguro prestamista, rural e de vida, que seguem sem catalisadores capazes de impulsionar uma retomada mais consistente do crescimento. Nesse cenário, a melhora operacional proporcionada pela baixa sinistralidade não deve ser suficiente para compensar a fraqueza da expansão da carteira.
Entre as empresas acompanhadas pelo Safra, a Caixa Seguridade (CXSE3) aparece como a mais bem posicionada para entregar uma melhora sequencial nos resultados. O banco projeta lucro líquido de R$ 1,17 bilhão no trimestre, alta de 3% em relação aos três meses anteriores e de 13% na comparação anual. O principal destaque continua sendo o seguro habitacional, que deve registrar crescimento de 14% sobre o mesmo período do ano passado, sustentando o avanço da operação, apesar da queda esperada nos segmentos de seguro de vida e prestamista.
Trimestre fraco para BB Seguridade
Já a BB Seguridade (BBSE3) deve enfrentar um trimestre mais fraco. O Safra estima lucro líquido de R$ 2,13 bilhões, com recuo de 4% frente ao trimestre anterior e de 5% na comparação anual. O desempenho deve refletir a redução dos prêmios emitidos pela Brasilseg, especialmente na carteira rural, além da desaceleração da Brasilprev, que deve registrar menor captação de recursos para os planos de previdência.
Para a Porto (PSSA3), a expectativa também é de pressão sobre os resultados. O Safra prevê lucro líquido de R$ 878 milhões, queda de 8,7% em relação ao trimestre anterior. O desempenho deve ser afetado pelo crescimento mais lento das receitas e pelo aumento das perdas com crédito na operação bancária. Apesar disso, a seguradora deve continuar apresentando melhora na sinistralidade do seguro automóvel, enquanto a operação de saúde deve manter crescimento de dois dígitos nos prêmios, ainda que com aumento dos custos assistenciais.
Entre as empresas analisadas, o IRB Re (IRBR3) é a principal aposta do Safra para a temporada de balanços. O banco acredita que as expectativas mais baixas do mercado, após dados operacionais fracos divulgados em maio, abrem espaço para uma surpresa positiva. A projeção é de lucro líquido recorrente de R$ 144 milhões, alta de 17% sobre o trimestre anterior, favorecida pela melhora dos resultados de subscrição, redução da retrocessão e avanço da rentabilidade operacional.
Mesmo com a expectativa de um trimestre pouco animador para as seguradoras, o Safra destaca que a estabilidade da sinistralidade continua sendo um fator positivo para o setor. No entanto, enquanto não houver uma recuperação mais consistente na emissão de prêmios, especialmente nas linhas tradicionais de bancassurance, o crescimento dos resultados deve permanecer limitado.
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