O ex-presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, iniciou nesta terça-feira (1º), sua atuação como Vice Chairman e Chefe Global de Políticas Públicas do Nubank (NU; ROXO34). A data marca o fim da quarentena de seis meses exigida por lei para que ex-dirigentes da autarquia possam ocupar cargos no setor privado, especialmente em instituições que tenham sido supervisionadas durante sua gestão.
Desde sua saída do BC, em dezembro do ano passado, Campos Neto era alvo de especulações sobre sua possível ida para o setor de fintechs. O anúncio oficial de sua contratação pelo Nubank foi feito em maio, mas sua posse foi condicionada ao cumprimento da quarentena legal. A nomeação gerou polêmica no mercado, dada a sensibilidade do cargo que ocupava e o profundo conhecimento que possui sobre o funcionamento do sistema financeiro e de seus concorrentes.
Durante seus seis anos à frente do Banco Central, Campos Neto foi protagonista de uma série de transformações no sistema financeiro brasileiro. Deu continuidade e ampliou a agenda de inovação iniciada por Ilan Goldfajn, com destaque para o lançamento do sistema de pagamentos instantâneos Pix, o desenvolvimento do Open Finance e o fortalecimento do ecossistema de bancos digitais. Também teve papel ativo em fóruns internacionais sobre moedas digitais emitidas por bancos centrais.
Roberto Campos Neto se reportará diretamente ao CEO da fintech
No Nubank, Campos Neto se reportará diretamente ao CEO e fundador da instituição, David Vélez. Ele será responsável por coordenar a estratégia de relações institucionais e regulatórias do banco, com foco na expansão internacional da fintech e na formulação de políticas públicas e econômicas que apoiem o crescimento sustentável do grupo. A expectativa é que sua experiência no setor público e em negociações com reguladores de diferentes países fortaleça a presença global do Nubank.
Campos Neto foi nomeado presidente do BC em 2019 pelo então presidente Jair Bolsonaro e reconduzido ao cargo em 2021, após a aprovação da autonomia formal do Banco Central. Ele deixou a autarquia em dezembro de 2024, sendo sucedido por Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.