O BTG Pactual realizou nesta semana um non-deal roadshow no Rio de Janeiro com executivos da Rede D’Or (RDOR3), reunindo o CFO Otavio Lazcano e o diretor de relações com investidores Franco Carrion. O encontro reforçou a visão construtiva dos analistas Samuel Alves e Maria Resende sobre a companhia, que permanece como top pick do banco no setor de saúde brasileiro.
“A gestão manteve perspectiva positiva para o ano, apontando para sólido momentum operacional tanto no segmento hospitalar quanto no de seguros, além de oportunidades contínuas de expansão de margens”, resumem os analistas. A recomendação de outperform (compra) foi reiterada, com a ação negociando abaixo de 17 vezes o lucro estimado para 2026. O preço-alvo é de R$ 54, com potencial de valorização de quase 45%.
Hospitais com vento favorável
O início de 2026 surpreendeu positivamente. Mesmo considerando que o Carnaval ocorreu em março do ano passado — criando uma base de comparação desfavorável —, “a companhia reportou volumes mais altos em janeiro e fevereiro na comparação anual, o que sustenta a expectativa de que março pode ser o mês mais forte do trimestre”, destacam Alves e Resende.
A expansão de capacidade segue como vetor central de crescimento. Após entregar cerca de 500 novos leitos em 2025, a Rede D’Or planeja adicionar aproximadamente 800 leitos em 2026, incluindo o novo projeto em Ribeirão Preto dentro da joint venture Atlântica D’Or. “A gestão espera pelo menos o mesmo nível de crescimento em leitos operacionais visto em 2025, com potencial de surpresa positiva”, apontam os analistas.
Nas margens, o caminho também é de melhora.
“Nove hospitais ainda estão em fase de maturação e, quando esses ativos convergirem para as margens-alvo, o impacto consolidado pode atingir cerca de 2 pontos percentuais de melhora”, calculam Alves e Resende. Migração de ERP em mais de 20 hospitais, controle de glosas e eficiências em compras completam o conjunto de alavancas disponíveis.
Bradsaúde como oportunidade
A criação da Bradsaúde — nova plataforma listada que consolida os ativos de saúde do grupo Bradesco — foi recebida com otimismo pela gestão da Rede D’Or. “Eles veem o surgimento de uma nova plataforma listada de saúde como positivo para o setor, que atualmente carece de empresas com desempenho operacional estável e boas perspectivas de crescimento”, relatam os analistas.
Mais relevante ainda é o impacto sobre a Atlântica D’Or.
“A gestão acredita que a nova estrutura pode acelerar o ritmo de projetos greenfield dentro da JV Atlântica D’Or, e a percepção é que a Bradsaúde manterá sua estratégia de parcerias com líderes de mercado no segmento hospitalar”, explicam Alves e Resende.
A SulAmérica também segue bem.
“A gestão expressou satisfação com o desempenho da SulAmérica no início do ano e acredita que 2026 pode ser um ano forte para o negócio de seguros, caso as tendências operacionais atuais persistam”, destacam os analistas.
O ambiente competitivo segue estável, com a seguradora bem posicionada para continuar ganhando participação de mercado.
“Continuamos a ver a Rede D’Or como o melhor nome de compra e manutenção no universo de saúde brasileiro, com o preço atual das ações oferecendo um ponto de entrada atrativo”, concluem Alves e Resende.






