O setor de saúde começa o segundo semestre com tom mais construtivo entre os investidores, mas o posicionamento ainda é leve na maioria dos nomes. Foi o que a XP Investimentos constatou após duas semanas de reuniões com gestores em São Paulo e no Rio de Janeiro, desde o início de cobertura do setor.
“As discussões giraram em torno de três temas: múltiplos abaixo dos níveis históricos com catalisadores de curto prazo, expectativas de maior estabilidade na base de investidores estrangeiros e preocupações com possíveis impactos da Copa do Mundo sobre os volumes de saúde”, resumiu o analista Gustavo Tiseo, da XP.
O segundo trimestre é visto como o principal gatilho para aumento de exposição nos papéis do setor.
Rede D’Or
Na Rede D’Or (RDOR3), o sentimento é o mais positivo do grupo. A ação negocia entre 12 e 14 vezes o lucro estimado para 2027, com a dispersão das estimativas vindo principalmente das premissas para margem hospitalar e Selic.
O vencimento do lock-up da GIC em 15 de julho, referente a uma fatia de 12,7% equivalente a cerca de R$ 10 bilhões, é o principal ponto de atenção.
“O sentimento melhorou com a perspectiva de um programa de recompra de R$ 1 bilhão e compras de ações pelo controlador de cerca de R$ 1,3 bilhão no ano”, disse Tiseo.
BradSaúde
Na BradSaúde (SAUD3), a tese ainda é nova para muitos investidores. A ação negocia a cerca de 9 vezes o lucro de 2027, com melhora nas tendências operacionais e potencial de dividendos.
“Um resultado forte no segundo trimestre, com lucro líquido acima de R$ 900 milhões, pode levar a revisões para cima das estimativas de 2026”, projetou o analista. As conversas giraram em torno de payout, sensibilidade à Selic e nível estrutural de sinistralidade.
Hypera
Na Hypera (HYPE3), o valuation de cerca de 6 vezes o lucro de 2027 é visto como muito atrativo pelo mercado, mas o posicionamento ainda é leve.
“A aceleração de receita e a recuperação de margens são os principais vetores para uma possível reprecificação”, apontou Tiseo.
O lançamento da semaglutida própria, os efeitos fiscais de mudanças regulatórias recentes e o equilíbrio entre crescimento e geração de caixa dominaram as discussões sobre o papel.
Fleury
O Fleury (FLRY3) concentra o sentimento mais cauteloso. A ação negocia em torno de 11 vezes o lucro de 2027, nível visto pela maioria como mais próximo do justo.
“Alguns investidores enxergam o posicionamento atualmente underweight e a possível continuidade dos resultados fortes do primeiro trimestre no segundo como catalisadores de curto prazo”, observou Gustavo Tiseo.
A pressão competitiva de médio e longo prazo, porém, segue como preocupação dominante entre os gestores que acompanham o papel.
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