O novo rating da Energisa reflete um cenário de maior pressão financeira para o grupo elétrico, após a Fitch Ratings anunciar o rebaixamento das notas de crédito da companhia e de suas subsidiárias. A decisão evidencia desafios relacionados à alavancagem e à geração de caixa em meio a um ciclo relevante de investimentos.
A agência reduziu os IDRs (Ratings de Inadimplência do Emissor) de longo prazo em moeda local e estrangeira de Energisa para ‘BB’, ante ‘BB+’. No mercado doméstico, o rating nacional caiu para ‘AA+(bra)’, antes ‘AAA(bra)’, afetando também emissões de debêntures e 13 subsidiárias. A perspectiva atribuída é estável.
De acordo com o relatório da agência de risco, o principal fator por trás do rebaixamento do rating da Energisa é a deterioração dos indicadores de alavancagem, que passaram a operar acima dos níveis compatíveis com a classificação anterior. Segundo a Fitch, a relação dívida líquida ajustada/Ebitda deve permanecer entre 3,5 vezes e 4,0 vezes até 2029.
As projeções indicam que a alavancagem bruta ajustada pode atingir 5,0 vezes em 2026 e 4,7 vezes em 2027, enquanto a alavancagem líquida deve se manter em torno de 3,9 vezes nesses anos. Os níveis são comparáveis aos registrados em 2025, quando os índices chegaram a 5,6 vezes e 4,3 vezes, respectivamente.
Apesar da expectativa de melhora gradual ao longo do tempo, impulsionada por ganhos de eficiência e revisões tarifárias, a agência avalia que os indicadores não devem retornar aos patamares compatíveis com o rating anterior no médio prazo.
Geração de caixa
Outro ponto central para o rating da Energisa é a perspectiva de fluxo de caixa livre (FCF) negativo até 2029. A companhia deve enfrentar pressão financeira decorrente de um robusto plano de investimentos, estimado em R$ 17,8 bilhões entre 2026 e 2028, além da manutenção de uma política de dividendos equivalente a 50% do lucro líquido.
Para 2026, a Fitch projeta um Ebitda de R$ 9,4 bilhões e um fluxo de caixa operacional (CFO) de R$ 5,5 bilhões. Contudo, despesas com juros estimadas em R$ 4,3 bilhões devem consumir parcela relevante da geração operacional.
Leia também:
Nesse cenário, o FCF deve ser negativo em R$ 1,8 bilhão em 2026, considerando investimentos de R$ 6,2 bilhões e pagamento de R$ 1,1 bilhão em dividendos. A expectativa é de continuidade do fluxo negativo, em torno de R$ 2,5 bilhões em 2027 e R$ 1,5 bilhão em 2028.
Perfil operacional
Apesar da pressão financeira, o rating da Energisa ainda se beneficia de um perfil operacional considerado resiliente. A empresa possui uma carteira diversificada de concessões reguladas de energia elétrica e gás, o que contribui para previsibilidade de receitas e menor exposição a riscos operacionais.
O segmento de distribuição deve continuar como principal motor de resultados, respondendo por cerca de 85% do Ebitda até 2029. A Fitch também considera elevada a probabilidade de renovação de concessões relevantes com vencimento previsto para 2027.
As operações de transmissão e distribuição de gás complementam a diversificação do portfólio e reforçam a estabilidade do fluxo de caixa ao longo do tempo.






