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Raízen: Saiba tudo sobre a recuperação extrajudicial

Raízen: Saiba tudo sobre a recuperação extrajudicial

Alavancagem de 5,3x, Selic a 15% e quebra de safra: o diagnóstico para a crise que levou a Raízen à reestruturação

A Raízen (RAIZ4) protocolou na quarta-feira (11) o pedido de recuperação extrajudicial no Judiciário, envolvendo nove entidades do grupo e a totalidade de seus créditos financeiros quirografários – R$ 65,14 bilhões. É a maior RJ já feita no Brasil. Para os analistas Yuri Machado e Roberto Pasqualini, do Banco Safra, a escolha da via extrajudicial é acertada e construtiva para o mercado.

“A opção pela via extrajudicial é acertada do ponto de vista do devedor e construtiva para o mercado: mantém credores operacionais fora do processo, preserva a operação sob gestão dos administradores e evita a disrupção de uma recuperação judicial”, afirmam os analistas.

Ao contrário da recuperação judicial tradicional – em que o tribunal conduz o processo desde o início -, a via extrajudicial permite que empresa e credores negociem previamente os termos, levando o acordo ao Judiciário apenas para homologação.

O pedido foi protocolado com adesão inicial de 47% dos créditos financeiros, acima do mínimo legal de um terço.

“O nível de 47% de adesão inicial é um sinal positivo, sugerindo que uma parcela significativa dos credores financeiros já negocia há tempo e aderiu à versão preliminar do plano”, destacam Machado e Pasqualini.

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A homologação definitiva exige aprovação de mais de 50% dos créditos em até 90 dias a partir do protocolo – prazo que se encerra em junho de 2026.

O diagnóstico do Safra para a crise é preciso.

O que aconteceu?

“A convergência de fatores levou o grupo ao seu maior patamar de alavancagem histórico, de 5,3 vezes dívida líquida sobre EBITDA ajustado”, apontam os analistas.

O ciclo foi alimentado por um expansão agressiva pré-turnaround – aquisição da Biosev, operações na Argentina, projeto E2G de etanol de segunda geração, JV com a Femsa e ativos de geração distribuída – tudo financiado a dívida em um ambiente macroeconômico então favorável.

O problema veio em ondas.

“A Selic acima de 12% ao ano por mais de 20 meses, alcançando 15% nos últimos oito meses, fez o custo financeiro da dívida disparar antes que os investimentos maturassem”, explicam os analistas.

Somaram-se a isso eventos climáticos severos no Centro-Sul – estresse hídrico, queimadas e temperaturas elevadas – que reduziram a produção de cana em até 4,4% no Sudeste, a queda de commodities e o avanço do etanol de milho.

“O Ebitda caiu 12% na safra 2025/2026 em relação à anterior”, apontam Machado e Pasqualini.

O stay period de 180 dias, iniciado em 11 de março, suspende pagamentos de principal e juros, vencimentos antecipados, execuções judiciais e bloqueios bancários – protegendo R$8,3 bilhões depositados nas contas das requerentes.

O plano definitivo ainda será negociado e poderá incluir capitalização pelos acionistas, conversão de créditos em participação acionária, emissão de nova dívida, reorganizações societárias e venda de ativos.

“O pedido funciona como um arcabouço processual que cria as condições para negociação”, concluem os analistas.