Apesar de um cenário macroeconômico mais desafiador e da revisão para baixo de suas estimativas, o Bradesco BBI segue otimista com a Marcopolo (POMO4). O banco manteve a recomendação de compra para as ações da fabricante de ônibus e vê a companhia como uma das mais resilientes do setor, sustentada pela diversificação geográfica, carteira robusta de pedidos e pela baixa alavancagem financeira.
O preço-alvo para o fim de 2026 foi reduzido de R$ 8,50 para R$ 8,00 por ação, refletindo um ambiente de juros elevados por mais tempo, menor rentabilidade nas exportações devido à valorização do real frente ao dólar e um leve aumento no custo de capital. Ainda assim, o banco considera que a tese de investimento permanece atrativa, especialmente diante dos múltiplos atuais da companhia.
As novas projeções do BBI indicam receita de R$ 9,5 bilhões em 2026, um corte de 3% em relação às estimativas anteriores. A margem EBITDA recorrente, incluindo equivalência patrimonial, foi reduzida para 17,8%, enquanto a previsão de lucro líquido caiu 4%, para R$ 1,26 bilhão.
Mercado doméstico: preocupação
No mercado doméstico, o principal foco de preocupação continua sendo o segmento de ônibus urbanos. Segundo o relatório, os juros elevados e o alto custo do diesel seguem pressionando a rentabilidade dos operadores de transporte coletivo, limitando a capacidade de renovação das frotas. Esse cenário já se reflete nos números da indústria, cuja produção de ônibus urbanos acumula queda de 17% até maio, com desempenho ainda mais fraco da Marcopolo.
Por outro lado, o segmento rodoviário pode se tornar um vetor de recuperação ao longo do segundo semestre. Embora a indústria tenha registrado retração de 24% nos volumes produzidos até maio, o BBI avalia que a demanda pode reagir impulsionada pela migração de passageiros do transporte aéreo para o rodoviário e pelos efeitos do programa Move Brasil 2, que amplia as condições de financiamento para aquisição de veículos.
No mercado externo, a desaceleração da demanda na Argentina, após um forte ciclo de renovação de frota, deve ser compensada pelo bom desempenho das operações na Austrália. O banco ressalta, contudo, que as vendas australianas tendem a gerar margens menores do que as observadas no mercado argentino.
Os programas governamentais também seguem desempenhando papel relevante nas perspectivas da companhia. As iniciativas Caminho da Escola e Caminho da Saúde continuam sendo importantes fontes de demanda, embora o início das entregas tenha sido postergado para o final de agosto.
No consolidado, o Bradesco BBI projeta crescimento de aproximadamente 5% da receita da Marcopolo em 2026 na comparação anual. As operações internacionais devem avançar em ritmo mais moderado, com expansão estimada em cerca de 4% em reais.
Níveis atrativos
Mesmo após a revisão das estimativas, os analistas destacam que a ação continua negociando a níveis considerados atrativos. O papel é negociado a cerca de 5,8 vezes o lucro projetado para 2026, além de oferecer potencial de dividend yield próximo de 9%, indicadores que permanecem abaixo da média histórica da companhia.
Entre os principais riscos para a tese, o banco cita a possibilidade de cancelamento de pedidos relevantes do programa Caminho da Escola, o que poderia reduzir as receitas projetadas em cerca de 3% nos próximos anos. Também estão no radar a não confirmação de novas encomendas públicas já incorporadas às projeções e uma eventual frustração da recuperação esperada para o segmento rodoviário no segundo semestre.
Por outro lado, uma queda das taxas de juros ou dos preços do petróleo poderia favorecer uma retomada mais forte do segmento urbano, cenário que, segundo o BBI, representaria um importante catalisador positivo para as ações da Marcopolo.






