O Bradesco BBI ajustou suas estimativas para o setor de shoppings e imobiliário comercial e saiu do exercício com uma conclusão clara: a Multiplan (MULT3) é a favorita.
Para os analistas Bruno Mendonça e Ricardo França, o posicionamento da companhia diante da reforma tributária justifica o prêmio de valuation em relação aos pares.
“Mantemos leve preferência pela Multiplan, que negocia a múltiplos atrativos, de aproximadamente 9,8 vezes o P/FFO (Funds from Operations) estimado para 2027, com prêmio justificado pelo seu posicionamento mais favorável para capturar ganhos da reforma tributária”, afirmam os analistas.
Reforma tributária como catalisador
A reforma tributária é o vetor central das revisões do banco. Suas projeções anuais já incorporam os efeitos positivos sobre a dinâmica de aluguéis, gerando revisões de FFO (Funds from Operations) para 2027 de 13% para Multiplan, 8% para Iguatemi e 6% para Allos.
“A recente performance da ação reflete justamente essa assimetria positiva, que deve se traduzir em crescimento relativo mais forte de FFO a partir de 2027”, destacam Mendonça e França — o que levou o banco a revisar as estimativas da Multiplan em 13% para 2027 e 11% para 2028.
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Primeiro trimestre operacionalmente robusto
Para o primeiro trimestre de 2026, o BBI espera números operacionais sólidos em todo o setor. A Iguatemi (IGTA3) deve liderar o crescimento de vendas em ritmo de um dígito alto, enquanto Multiplan e Allos (ALOS3) devem crescer em ritmo de um dígito médio.
Entretanto, em termos de FFO (Funds from Operations), o quadro se inverte.
“A Allos tende a reportar o maior crescimento de FFO, com alta de cerca de 5% anual, ao passo que Iguatemi e Multiplan devem mostrar quedas de 7% e 11%, respectivamente, quando excluídos efeitos não recorrentes”, detalham os analistas.
Iguatemi como opção mais barata
A Iguatemi (IGTI11) merece destaque como a alternativa mais descontada do setor.
“A Iguatemi segue como a opção mais barata, negociando a cerca de 8,7 vezes o P/FFO 2027, com potencial de revisões positivas frente ao consenso e indicadores operacionais robustos, como SSS (Vendas nas Mesmas Lojas) e SSR (Aluguel nas Mesmas Lojas) acima dos pares”, apontam Mendonça e França.
De forma geral, o banco vê o setor como atrativo.
“Os shoppings listados oferecem retorno real estimado próximo de 10%, além de maior proteção relativa contra a inflação, em um ambiente ainda desafiador para o setor residencial”, concluem os analistas.






