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Por que as bolsas batem recordes se a guerra não acabou?

Por que as bolsas batem recordes se a guerra não acabou?

Em apenas 11 pregões, S&P 500 apagou queda de 10% gerada pelo conflito no Oriente Médio; JP Morgan analisa se o rali reflete fundamentos sólidos ou excesso de otimismo

Em apenas seis semanas, as bolsas globais viveram uma queda brusca, uma recuperação vertiginosa e um novo recorde histórico. O S&P 500 recuou quase 10%, recuperou tudo em 11 pregões e voltou às máximas — tudo isso sem que o conflito envolvendo EUA, Israel e Irã tivesse qualquer resolução à vista. O cenário levanta uma pergunta incômoda, e o JP Morgan a formula sem rodeios: os investidores estão ignorando o risco geopolítico de novo?

“Os mercados vendem primeiro e fazem perguntas depois diante da incerteza”, escrevem Kriti Gupta e Justin Biemann, estrategistas de investimentos globais do banco. “Mas as recuperações das bolsas parecem estar acontecendo cada vez mais rápido.”

Os números do rali são impressionantes. O Nasdaq 100 registrou sua maior sequência de ganhos em mais de uma década — 13 pregões consecutivos no positivo. O S&P 500 e o Russell 2000 acumularam altas de 9% e 11% no mês, respectivamente.

Mercados coreanos e taiwaneses atingiram recordes. Emergentes subiram mais do que os índices americanos. “O rali foi indiscriminado”, destacam os estrategistas.

Resposta estrutural

A velocidade da recuperação tem explicação estrutural, segundo o JP Morgan.

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“Ao longo dos anos, as recuperações se tornaram cada vez mais rápidas graças à liquidez abundante, estruturas de mercado evoluídas e política monetária frequentemente mais frouxa”, apontam Gupta e Biemann.

Investidores que permaneceram posicionados durante a turbulência foram recompensados — e o mercado parece ter internalizado essa lição.

Mas o rali não foi uniforme. Europa e Japão, apesar de rebotes expressivos, ainda operam bem abaixo dos picos pré-conflito.

No caso europeu, o problema é duplo: as valorizações já estavam esticadas antes do choque energético e, agora, “a preocupação não é apenas com valuations relativos, mas com lucros negativos no futuro”, alertam os estrategistas. Falta ainda à região um elemento central que impulsiona Wall Street: o peso do setor de tecnologia.

Wall Street
(Imagem: Unsplash)

S&P 500

Nos EUA, o que sustenta o otimismo são os resultados corporativos. Com cerca de 25% do S&P 500 já tendo reportado, “aproximadamente 83% das empresas superaram as estimativas de lucros — bem acima da média de cinco anos de 78%“, segundo Gupta e Biemann. O crescimento de receitas também caminha para o melhor desempenho desde 2022.

Se o restante da temporada de resultados confirmar a tendência, serão seis trimestres consecutivos de crescimento de lucros em dois dígitos — a maior sequência desde a recuperação pós-crise de 2008.

“Isso reforça que o rebote não é uma reação instintiva, mas um reflexo duradouro da força do setor de tecnologia e do índice mais amplo”, concluem os estrategistas. O mercado apostou nos fundamentos — e, por ora, os fundamentos estão respondendo.

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