A XP Investimentos divulgou sua prévia para os resultados da Petrobras (PETR3; PETR4) no primeiro trimestre de 2026, projetando um EBITDA de US$ 12,6 bilhões — alta de 15,6% em relação ao quarto trimestre de 2025. O relatório, assinado pelo analista Regis Cardoso, aponta a combinação de produção crescente e preços do petróleo mais elevados como os principais motores do desempenho esperado.
Produção bate recorde puxada pelo pré-sal
O destaque operacional do trimestre foi o avanço na extração de petróleo, que chegou a 2,58 milhões de barris por dia, alta de 3,2% na comparação trimestral. “O principal destaque no trimestre foi o aumento sequencial da produção de petróleo para cerca de 2,58 MMbpd, alta de 3,2% em relação ao trimestre anterior”, afirma Cardoso.
A produção do pré-sal atingiu 2,19 milhões de barris por dia, crescimento de 3,5% no trimestre, impulsionada pelo ramp-up do FPSO P-78, com capacidade de 180 mil barris por dia e participação de 89% da Petrobras no campo de Búzios, e do FPSO Alexandre de Gusmão, com mesma capacidade e participação de 39% no campo de Mero. O pós-sal também avançou, com os FPSOs Anna Nery e Anita Garibaldi contribuindo para uma produção de 361 mil barris por dia, alta de 1,7% no trimestre e de 10,7% no ano.
“Esperamos que a produção da Petrobras continue em trajetória de alta nos próximos trimestres”, projeta o analista, destacando que o FPSO P-79, ancorado em fevereiro, deve iniciar a produção em breve e adicionar nova capacidade ao sistema.
Brent dispara
No campo dos preços, o Brent médio do trimestre ficou em US$ 78 por barril, alta de 23% frente aos US$ 63 por barril do quarto trimestre de 2025, após o conflito entre Estados Unidos e Irã elevar as cotações acima de US$ 100 por barril em março.
“Os preços do petróleo subiram de forma relevante no 1T26, com o Brent ultrapassando US$ 100 por barril em março, após o início do conflito entre EUA e Irã”, destaca Cardoso.
No entanto, o efeito positivo foi parcialmente compensado pela apreciação do real e pela queda nos crack spreads. O spread da gasolina no mercado doméstico recuou cerca de US$ 17 por barril no trimestre, para aproximadamente US$ 2,1 por barril, enquanto o do diesel caiu US$ 10 por barril, para US$ 24,4 por barril.
Dividendos de US$ 2,4 bilhões
Para o lucro líquido, a XP estima US$ 6,4 bilhões, beneficiado por ganhos cambiais. Na geração de caixa, a projeção é de US$ 2,5 bilhões, com retorno trimestral de 1,8%.
“Em linha com a política de dividendos da Petrobras, projetamos dividendos ordinários de cerca de US$ 2,4 bilhões, equivalente a retorno trimestral de 1,7%”, afirma o analista.
Utilizando um modelo diferencial proprietário para incorporar as incertezas do ambiente operacional, a XP chegou a uma faixa de EBITDA entre US$ 11,6 bilhões e US$ 14,4 bilhões, com média de US$ 12,9 bilhões e desvio-padrão de aproximadamente 4,9%. “Em suma, esperamos resultados sólidos”, conclui Cardoso.






