A Enel (ENEL) apresentou resultados acima do esperado no 1TRI26, segundo análise do BTG Pactual, com destaque para o crescimento de receita e EBITDA impulsionado pela valorização cambial em mercados-chave.
No período, a companhia registrou receita líquida de US$ 3,9 bilhões, alta de 20% na comparação anual, superando as estimativas do banco. O desempenho reforça a importância do Brasil no portfólio da empresa.
O resultado do 1TRI26 também mostrou avanço operacional relevante, ainda que parte significativa desse crescimento esteja associada à valorização do real brasileiro (BRL) e do peso colombiano (COP). Sem esse efeito, o crescimento seria mais moderado, estimado em cerca de 5% no EBITDA, refletindo principalmente reajustes tarifários e aumento da demanda.
Distribuição lidera crescimento da Enel
O segmento de distribuição foi o principal responsável pelo desempenho da Enel no 1TRI26. A receita nessa divisão avançou 21% na base anual, alcançando US$ 3,1 bilhões, com destaque para o Brasil, onde houve crescimento de 28%. Esse avanço foi sustentado por fatores como valorização cambial, reajustes tarifários e melhorias na gestão de ativos e passivos.
Além disso, o EBITDA da distribuição cresceu 30% no período, com expansão de margens.
Na Argentina, a operação Edesur praticamente triplicou seu resultado operacional, enquanto Brasil e Colômbia também registraram avanços consistentes. Esse desempenho reforça o papel estratégico da distribuição dentro da Enel, especialmente em um cenário de maior estabilidade regulatória em alguns mercados.
Geração enfrenta pressão de custos e menor volume
Apesar do bom desempenho consolidado no 1TRI26, o segmento de geração apresentou sinais de pressão. A produção total caiu 11% na comparação anual, impactada principalmente pela saída de ativos na Argentina. As vendas de energia também recuaram 17%, refletindo esse movimento.
Mesmo com aumento de preços médios de energia, o EBITDA da geração caiu 6%. No Brasil, por exemplo, a Enel conseguiu elevar receitas, mas enfrentou custos maiores com compra de energia, o que pressionou a rentabilidade. Esse cenário evidencia desafios estruturais no segmento, especialmente em mercados mais voláteis.
Investimentos e cenário regulatório seguem no radar
Outro destaque do 1TRI26 foi o aumento expressivo dos investimentos da Enel, que cresceram 53% na comparação anual, com foco em redes de distribuição. Os aportes foram direcionados principalmente para digitalização e melhoria da resiliência das operações, sobretudo no Brasil.
Por outro lado, o ambiente regulatório segue como ponto de atenção. O mercado ainda monitora incertezas relacionadas à renovação de concessões, especialmente em São Paulo. Segundo o BTG, esse risco já está parcialmente precificado nas ações, que seguem negociando a múltiplos considerados baixos frente ao desempenho operacional da companhia.
Perspectivas: fundamentos sólidos, mas dependentes de variáveis externas
A análise do BTG indica que a Enel entregou um 1TRI26 sólido, com resultados acima das expectativas e melhora operacional relevante. No entanto, a forte influência do câmbio levanta questionamentos sobre a sustentabilidade desse ritmo de crescimento nos próximos trimestres.
Ainda assim, a empresa mantém fundamentos consistentes, com crescimento da base de clientes, investimentos em infraestrutura e melhora gradual em mercados desafiadores como a Argentina.
Para investidores, o desempenho da Enel no 1TRI26 reforça o potencial da companhia, mas também evidencia a importância de fatores macroeconômicos em sua performance.
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