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Petrobras está no centro da corrida pelo petróleo do futuro

Petrobras está no centro da corrida pelo petróleo do futuro

As 30 maiores empresas de exploração e produção do mundo enfrentam “declínios de produção de quase 40% entre 2025 e 2040”

A indústria global de petróleo enfrenta um dos maiores desafios de sua história recente: um déficit de 300 bilhões de barris até 2050. É o que aponta análise divulgada nesta segunda-feira pela consultoria Wood Mackenzie, que traça um panorama da exploração mundial e coloca o Brasil — e a Petrobras (PETR3; PETR4) — entre os protagonistas da corrida por novas reservas.

O diagnóstico é direto.

“Os campos atualmente em produção entregarão apenas 700 bilhões dos quase 1.000 bilhões de barris necessários para atender à demanda acumulada de líquidos até 2050”, segundo a Wood Mackenzie.

O diferencial precisa ser preenchido com novas descobertas, e a exploração em águas ultraprofundas é hoje o principal caminho.

A urgência é reforçada por outro dado preocupante: as 30 maiores empresas de exploração e produção do mundo enfrentam “declínios de produção de quase 40% entre 2025 e 2040”, de acordo com a consultoria. Esse cenário está remodelando estratégias e empurrando companhias para fronteiras cada vez mais remotas e desafiadoras.

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Apesar dos riscos, o histórico econômico da exploração é favorável.

“O setor criou US$ 120 bilhões em valor entre 2021 e 2025 a US$ 85 por barril de Brent”, calcula a Wood Mackenzie, mesmo após descontar US$ 97 bilhões em gastos exploratórios. O início de 2026, porém, foi sóbrio: “os primeiros quatro grandes poços que acompanhamos em 2026 vieram secos — esse é o jogo, e os participantes conhecem os riscos”, disse Andrew Latham, vice-presidente sênior de Pesquisa Energética da consultoria.

Exploração da Petrobras

Mesmo assim, as apostas continuam.

“Quando a exploração ultraprofunda funciona, descobertas únicas como Bumerangue geram muitos bilhões em valor”, afirmou Latham.

A Wood Mackenzie avalia o desenvolvimento bem-sucedido do campo Bumerangue, da BP no Brasil, em US$ 5,7 bilhões — elevando a criação de valor da indústria exploratória em 2025 para mais de US$ 10 bilhões.

É nesse contexto que a Petrobras aparece com destaque. A consultoria identificou 23 poços de alto impacto para 2026, e o Morpho-1, operado pela estatal brasileira, figura entre os mais relevantes do mundo.

Com potencial estimado de 800 milhões de barris de óleo equivalente, o poço “tem o potencial de abrir a bacia de Foz do Amazonas”, segundo a Wood Mackenzie — uma nova fronteira que pode redefinir o mapa energético do país.

A estatal brasileira integra um seleto grupo de sete grandes companhias petrolíferas e nacionais com “capacidade técnica e apetite para operações ultraprofundas em profundidades superiores a 1.500 metros”, segundo a consultoria.

O mundo precisa do petróleo que ainda não encontrou — e parte da resposta pode estar no fundo do mar brasileiro.

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