A Petrobras (PETR4) busca equilíbrio entre geração de valor e crescimento, segundo o BTG Pactual (BPAC11). O banco de investimentos esteve reunido com o CFO da petroleira, Sergio Caetano.
Em relatório ao mercado, destacou que o mandato da nova administração é claro:
- tornar a Petrobras relevante novamente;
- aumentar os investimentos;
- diversificar a base de ativos;
- aumentar a participação no mercado de refino.
“Embora isso possa impactar a percepção de risco, Caetano enfatizou que o ambicioso plano de crescimento não comprometerá a saúde financeira da empresa”, ressaltou o banco.
E disse mais: “permanecemos neutros em Petrobras, já que nosso dividend yield estimado de 12% em 2024 representa nada mais do que um pequeno desconto frente os pares.”
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BTG analisa Petrobras (PETR4)
Ainda de acordo com o BTG, o valuation torna o risco-retorno da tese mais equilibrado. “Além disso, não prevemos ROIC marginal positivo dado essa abordagem centrada no crescimento”, disse.
E acrescentou: “acreditamos que o próximo grande catalisador para as ações será a decisão sobre dividendos extraordinários, o que pode indicar a disposição do governo de distribuir pagamentos acima do estabelecido no longo prazo ou reter mais capital planos de crescimento ainda maiores.”
Segundo o banco, Caetano confirmou que, se o preço do petróleo continuar em tendência de alta, a Petrobras ajustará os preços dos combustíveis.
No entanto, elencou, a decisão não será baseada apenas na paridade de importação (IPP). “O nível de lucratividade que a Petrobras almeja em seu negócio de refino permanece um tanto obscuro para nós”, disse.
Taxas de utilização
O executivo informou ao BTG, também, que a Petrobras maximiza valor via as taxas de utilização de suas refinarias, sugerindo que o objetivo final é capturar o máximo de participação de mercado possível.
Já as estimativas do BTG destacam que o desconto atual do diesel está em 27%, ou R$ 1,1/litro.
“Acreditamos que a maior utilização da capacidade não compensa o fato de que as margens de refino da Petrobras estão possivelmente próximas de zero agora, ou mesmo negativas se considerarmos o custo de oportunidade do refino de combustível”, ressaltou.
E complementou: “portanto, a menos que seja significativo, acreditamos que qualquer ajuste de preço deve ter um impacto limitado sobre como os investidores percebem o valor do preço das ações hoje.”
Capex
Sobre o Capex, a revisão oficial do Plano Estratégico está prevista para novembro.
“Estimamos que o plano de capex de 5 anos crescerá para US$ 82-86 bilhões (acima dos US$ 78 bilhões). O novo programa provavelmente incluirá um foco maior em energia renovável, variando de 6% a 15% do total, fusões e aquisições e esforços para globalizar a empresa”, informou o banco.
E disse mais: “se confirmado, isso não impactaria necessariamente o preço das ações, já que o aumento representaria um acréscimo anual de até “apenas” US$ 1,6 bilhão, ou 2% de seu valor de mercado. Isso deve manter os pagamentos de dividendos relativamente inalterados, especialmente considerando que a empresa manteve capex (em média) de 15% abaixo do guidance nos últimos 2 anos.”
Petroquímicos versus distribuição
O BTG traz, no relatório, que quando questionado sobre o potencial interesse da Petrobras em adquirir participações na Braskem (BRKM5) ou Vibra (VBBR3), Caetano deixou claro que uma posição estratégica no setor petroquímico faz mais sentido estratégico de longo prazo.
No entanto, uma decisão de curto prazo sobre o aumento da participação da empresa na BRKM parece improvável, uma vez que as negociações em andamento entre a Novonor e entidades privadas ainda não são vinculativas.
Caetano destacou que a Petrobras não pretende se desfazer de sua participação e prefere parcerias estratégicas a renacionalizar totalmente a BRKM.
Em relação ao VBBR, ele confirmou que a empresa não tem interesse em recomprar a distribuidora de combustíveis, embora isso não mude a preferência do banco pela VBBR no setor.
“Se a Petrobras aumentar sua participação no mercado de combustíveis no Brasil, acreditamos que os operadores do setor, como a VBBR, se beneficiarão de um fornecimento mais previsível e menor volatilidade de margem”, frisou.
Dividendos
Do lado dos dividendos, o BTG destacou que os fortes resultados previstos para o 2S23 podem levar as reservas de lucros da Petrobras para perto dos limites máximos estabelecidos em seu estatuto, possivelmente permitindo dividendos além de sua política de distribuição (45% do fluxo de caixa menos capex).
“De acordo com nossos cálculos, esse valor extra pode chegar a ~US$ 5,2 bilhões, acrescentando mais 6% de yield sobre nossa tese base de 7% para o 2S23. Caetano reconheceu essa possibilidade, indicando que qualquer decisão levaria em consideração os interesses dos acionistas. Alguns podem ver isso como um forte argumento para provável distribuição extraordinária de dividendos, já que ajudaria as contas fiscais do governo como principal acionista da Petrobras. No entanto, acreditamos que essa decisão será adiada até a divulgação dos resultados do 4T23 (provavelmente em fev/24)”, disse.
Risco e retorno
Em se tratando do risco-retorno, o banco ressaltou que embora a tese pessimista pareça menos provável desde que a nova administração assumiu, acredita-se que a tese mais positiva, hoje, dependa de:
- Petrobras negociar com prêmio de múltiplo em relação a seus pares (improvável em nossa opinião);
- a crença de que os descontos no preço do combustível não representam risco para a rentabilidade ou aumentarão a participação da Petrobras nas importações de combustível (talvez mais provável hoje se os preços não subirem em breve); e
- a decisão da empresa sobre dividendos extraordinários (esperados apenas para o próximo ano).
“Com o aumento dos preços do petróleo, o debate sobre o reajuste do preço do combustível provavelmente ofuscará os pontos um e dois, e ainda preferiríamos outros nomes como PRIO (nossa escolha principal no setor)”, concluiu.
Bolsa
Por volta das 14h45 a ação PETR4 caía 0,69%, cotada em R$ 30,42.

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