O PagBank (PAGS34) está pronto para uma nova fase de crescimento — e o crédito é o centro dessa estratégia.
Os analistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre, do banco Safra, reuniram-se com a liderança da companhia — CEO Carlos Mauad, CFO Gustavo Sechin e chairman Ricardo Dutra — e saíram com uma leitura moderadamente mais construtiva sobre o papel.
“A principal conclusão não foi uma mudança de direção, mas uma percepção mais clara de que a empresa está agora preparada para navegar em um ecossistema mais integrado de crédito, banking e pagamentos“, afirmam os analistas em um relatório divulgado neste domingo (26).
A recomendação, entretanto, permanece neutra. O Safra aguarda que a execução em crédito apareça nos números antes de adotar visão mais positiva.
Infraestrutura pronta, execução começa
A gestão do PagBank descreveu os últimos 18 meses como um período de preparação — e agora, segundo os analistas, o gatilho para a próxima etapa está acionado.
“A infraestrutura está largamente em funcionamento, e a gestão está agora alinhada em torno do crédito como o próximo motor de crescimento”, destacam Vaz, Guedes e Nobre.
A estratégia de crédito está organizada em três camadas: capacidade — com reforço da segunda linha de defesa, sistemas e equipes de analytics —, produto — com capital de giro para PMEs e crédito ao consumidor — e governança, descrita como já consolidada.
“O princípio orientador, nas próprias palavras da gestão, foi uma expansão deliberada e sustentável, em vez de uma busca por volumes de curto prazo”, detalham os analistas.
Capital de giro com disciplina
A operação de capital de giro segue uma lógica conservadora. O ticket médio é de R$ 16 mil, o prazo médio fica entre 10 e 11 meses e as taxas giram em torno de 6% ao mês. A originação atual está entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões por trimestre.
“O scoring comportamental é a ferramenta central de underwriting para PMEs, e a empresa deliberadamente evita exposições de alto ticket por enquanto”, explicam os analistas.
O crédito ao consumidor deve ganhar peso ao longo dos próximos anos, funcionando principalmente como um driver de engajamento com a conta bancária.

Valuation atrativo, mas execução decide
Com cerca de 95% a 96% dos novos clientes de pagamentos já integrados com conta bancária desde o onboarding, a plataforma financeira está madura para suportar a expansão em crédito.
“A plataforma bancária não é mais um projeto em construção, e os requisitos de investimento incremental são agora materialmente menores”, apontam Vaz, Guedes e Nobre.
O papel negocia a cerca de seis vezes o lucro estimado para 2026 — múltiplo que o Safra considera atrativo diante do potencial da estratégia de crédito. O preço-alvo é de US$ 12, com upside de 17%. As ações têm queda de 2,7% em 2026 na B3.
“A assimetria pode melhorar à medida que o PagBank oferecer mais visibilidade e tangibilidade à execução do crédito”, concluem os analistas — mantendo a recomendação neutra até que os números confirmem a narrativa.






