Os investidores americanos estão surpresos com o aumento do custo de risco nos últimos dois trimestres do Nubank (ROXO34) e passaram a questionar como as receitas irão se comportar em um cenário de piora da economia, especialmente se o banco precisar desacelerar a originação de crédito.
Segundo análise do BTG Pactual após roadshow nos Estados Unidos, o tema dominou as discussões e reforçou a visão de que o papel segue altamente divisivo entre os gestores.
“A elevação do custo de risco nos últimos dois trimestres surpreendeu negativamente e reacendeu preocupações sobre qualidade de ativos”, afirmam os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.
O movimento foi particularmente relevante diante da maior exposição do banco a clientes de renda mais baixa e ao crédito não garantido.
Apesar disso, o Nubank continua apresentando números operacionais robustos, com retorno sobre patrimônio próximo de 30% e crescimento de lucros entre 35% e 40% ao ano. Ainda assim, o cenário mais desafiador para crédito tem levado investidores a questionar a sustentabilidade desses indicadores no médio prazo.
Crescimento sob questionamento
A principal dúvida levantada pelos investidores é o comportamento da receita caso o banco precise reduzir o ritmo de concessão de crédito diante de um ambiente macroeconômico mais adverso.
“Investidores estão tentando entender o que acontece com o crescimento de receita se a originação precisar desacelerar”, destacam os analistas. Esse ponto é central para a tese, já que grande parte da expansão recente do Nubank tem sido impulsionada justamente pelo avanço no crédito.
Outro fator que adiciona incerteza é a recente mudança na liderança financeira da companhia, com a saída de Guilherme Lago e a chegada de um novo CFO. Para parte do mercado, a transição ocorre em um momento sensível, aumentando o nível de atenção sobre a execução da estratégia.
Expansão internacional gera dúvidas
Uma das alternativas para sustentar o crescimento no longo prazo é a expansão internacional, especialmente nos Estados Unidos. No entanto, essa estratégia também vem sendo vista com ceticismo pelos investidores americanos.
“A oportunidade nos EUA ainda levanta dúvidas sobre qual será a proposta de valor diferenciada do Nubank em um mercado altamente competitivo”, afirmam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
O mercado americano é considerado maduro, com intensa competição e margens mais comprimidas.
Embora a companhia tenha sinalizado que pretende limitar o impacto da expansão sobre sua estrutura de custos, investidores ainda questionam a relevância dessa operação no curto prazo.
O México, por sua vez, segue com percepção mais construtiva, mas sem expectativa de contribuição significativa para resultados nos próximos dois anos.
“A internacionalização é parte importante da tese de longo prazo, mas o foco recente na expansão surpreendeu alguns investidores”, dizem os analistas.
Para parte do mercado, esse movimento pode refletir uma maturação gradual do potencial de crescimento no Brasil.
Mesmo após a correção de cerca de 24% no ano, que tornou o valuation mais atrativo, o Nubank continua sendo um dos ativos mais debatidos entre investidores internacionais.
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