A Oncoclínicas (ONCO3) intensificou os esforços para reorganizar sua estrutura financeira e preservar a liquidez em meio a um cenário de pressão sobre o endividamento. Segundo análise do Banco Safra, a companhia deu mais um passo nesse processo ao convocar novas assembleias gerais de debenturistas (AGDs) para os dias 30 e 31 de março, com o objetivo de aprovar um regime temporário de flexibilização contratual, conhecido como standstill.
A proposta prevê principalmente o adiamento do pagamento de remuneração de debêntures e certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) para 1º de junho de 2026, além da suspensão temporária de vencimentos antecipados e penalidades por inadimplência. O pacote também inclui concessão de renúncias, ou waivers, para eventuais descumprimentos de indicadores financeiros perante outros credores.
Em contrapartida, a empresa se compromete a manter determinadas restrições financeiras durante o período de vigência do acordo, além de enviar declarações semanais de conformidade aos credores.
Dívidas de R$ 3,8 bi em jogo
O movimento ocorre após a convocação anterior de assembleias envolvendo diversas emissões de dívida da companhia. Entre elas estão as debêntures públicas da 9ª, 11ª e 12ª emissões, além das privadas da 8ª e 10ª emissões, bem como CRIs ligados às 54ª e 232ª emissões. Esses papéis somam aproximadamente R$ 3,8 bilhões em dívidas.
Nessas reuniões, os credores devem deliberar sobre a concessão de um waiver preventivo relacionado ao covenant financeiro da companhia. O contrato prevê limite de 3,5 vezes para o indicador de dívida líquida sobre EBITDA, e o objetivo da renúncia é evitar que um eventual descumprimento seja automaticamente caracterizado como evento de inadimplência.
As assembleias das emissões públicas estão marcadas para 24 de março, enquanto as privadas devem ocorrer no dia seguinte. Já os resultados financeiros de 2025 estão previstos para divulgação em 30 de março.
De acordo com o Safra, a estratégia da empresa é antecipar a reorganização do passivo antes da publicação do balanço anual, buscando preservar caixa e reduzir o risco de aceleração da dívida no curto prazo.
O banco destaca que a companhia enfrenta um cenário financeiro desafiador, com dívida bruta estimada em cerca de R$ 4,3 bilhões, necessidade de rolagem de pelo menos R$ 1 bilhão em 2026 e perspectiva de fluxo de caixa livre negativo.






