O banco BTG Pactual (BPAC11) está revisando as estimativas após a negociação entre Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3), anunciada ontem (29). Para a primeira, o banco de investimentos decidiu colocar em status de espera; ao passo que Marfrig terá a recomendação neutra mantida, mas só até que a situação forneça um cenário mais claro.
Com relação a Marfrig, o banco informou que, apesar do desenvolvimento positivo da operação para o balanço, decidiu por manter a neutralidade pelo menos até que possa vislumbrar um cenário de margens mais fortes no mercado de carne bovina dos Estados Unidos, o que esperamos que aconteça apenas em 2025.
Já sobre Minerva, o banco justificou que havia esperança que a empresa poderia finalmente entrar em um ciclo de margens mais favoráveis e geração de caixa. Porém, após a transação, será agora colocada “em espera”.
“Haverá muito para digerir e integrar nestes novos ativos antes que ela possa concretizar as sinergias. A boa notícia é que o cenário do ciclo de preços do gado e da carne bovina está a favor da empresa”, informou parte do relatório com relação à Minerva.
Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3): BTG (BPAC11) vê números complexos
Segundo relatório do BTG, os números são considerados complexos. Avalia que, no ano passado, os ativos de carne bovina da Marfrig na América Latina registraram vendas de R$ 27,6 bilhões e um ebitda de R$ 2,3 bilhões (8,4% de margem ebitda).
No fato relevante de ontem, a Marfrig afirma que os ativos vendidos tiveram receita de R$ 15,6 bilhões em 2022, e que os ativos que ela irá reter tiveram vendas de R$ 15,8 bilhões.
“Acreditamos que a razão pela qual os números não batem é que há vendas intercompany. O gado processado em algumas unidades é utilizado como matéria-prima para hambúrgueres em outras, por exemplo”, relata o banco.
O problema é realmente como isso resulta em geração de ebitda e fluxo de caixa. A Marfrig afirma que os ativos mantidos geraram margem ebitda maior que 10% no ano passado, ou aproximadamente R$ 1,6 bilhão de ebitda, o que implica que os ativos vendidos geraram cerca de R$ 800 milhões em ebitda.
“Se for este o caso, o múltiplo da transação implica cerca de 10x EV/EBITDA. O Minerva, por sua vez, acredita que pode levar as receitas dos ativos adquiridos para até R$ 18 bilhões, com EBITDA de ~R$ 1,5 bilhão (margem de ~8%), implicando um múltiplo de entrada de 5x EV/EBITDA”, diz outro trecho do relatório.
Minerva e Marfrig: entenda a negociação
A Minerva (BEEF3) comprou parte das operações da Marfrig (MRFG3) na América do Sul pelo valor de R$ 7,5 bilhões, dos quais 20% (R$ 1,5 bilhão) já foram pagos como parcela inicial. O negócio entre Minerva e Marfrig foi anunciado pelas duas companhias por meio de fatos relevantes publicados nesta segunda-feira (28) após o fechamento do mercado.
A aquisição foi feita pela Athn Foods Holdings, controlada da Minerva, e prevê a transferência dos seguintes ativos:
- no Brasil, unidades de abate de bovinos em Alegrete (RS), Bagé (RS), Bataguassu (MS), Chupinguaia (RO), Mineiros (GO), Pontes e Lacerda (MT), São Gabriel (RS) e Tangará da Serra (MT), além de três unidades inativas.
- na Argentina, a unidade de abate de bovinos de Villa Mercedes;
- no Chile, a unidade de abate de ovinos Patagonia;
- no Uruguai, as unidades de abate de bovinos Colônia, Salto e San José.
A concretização do negócio depende de uma série de condições acordadas entre as duas empresas. A Minerva informou que conta com o “compromisso de financiamento firme por parte do banco JP Morgan quanto ao montante relativo às parcelas remanescentes” na negociação entre Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3).






