Os frigoríficos brasileiros devem ter um primeiro trimestre de 2026 marcado por demanda global sólida, mas com margens comprimidas pelo avanço nos custos de gado e grãos.
Nesse cenário, a Minerva (BEEF3) deve se destacar como o nome mais positivo do grupo, enquanto JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) enfrentam ventos contrários mais intensos, especialmente nas operações americanas.
“Esperamos que a Minerva entregue crescimento de Ebitda no primeiro trimestre de 2026, apoiada por volumes sólidos no Brasil e pela continuidade da contribuição dos ativos adquiridos da Marfrig“, afirmam os analistas Ricardo Boiati, Rafael Une e Thiago Marmo, do banco Safra.
Minerva cresce com ativos da Marfrig
A Minerva deve registrar receita líquida de R$ 12,8 bilhões no trimestre — alta de 14% na comparação anual —, com Ebitda de R$ 1,018 bilhão, crescimento de 6%, e margem de 7,9%, leve compressão de 65 pontos-base anual.
“A demanda exportadora sólida no Brasil deve seguir construtiva para a Minerva, com o ramp-up dos ativos adquiridos da Marfrig continuando a contribuir para os resultados consolidados”, destacam os analistas.
No âmbito geográfico, a operação colombiana deve melhorar levemente, puxada pela demanda chinesa. Contudo, a Austrália deve registrar resultados mais fracos no segmento de cordeiro, e Argentina e Paraguai também devem ter desempenho mais fraco no período.

JBS e Marfrig sob pressão nos EUA
A JBS deve reportar receita de US$ 20,5 bilhões — alta de 5% anual —, mas com margem Ebitda ajustada de 6,5%, queda de 128 pontos-base.
“Fundamentais de proteína mais fracos nos EUA devem pesar sobre os resultados consolidados, com disrupções climáticas levando a margens mais apertadas na JBS Beef North America, Pilgrim’s Pride e JBS USA Pork”, apontam Boiati, Une e Marmo.
A Marfrig, por sua vez, deve registrar Ebitda ajustado de R$ 2,877 bilhões — queda de 10% anual —, pressionado pela BRF e pelo ambiente desafiador da National Beef no mercado americano.
“Esperamos resultados mais fracos para a Marfrig no primeiro trimestre, impulsionados pela pressão de margens da BRF e pelo ambiente desafiador que a National Beef enfrenta nos Estados Unidos”, concluem os analistas — reforçando que a Minerva segue como a melhor combinação de crescimento e resiliência entre os frigoríficos brasileiros neste trimestre.
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