O Mercado Livre (MELI34) deu um passo estratégico ao iniciar, nesta semana, um projeto piloto para a venda de medicamentos em sua plataforma. A operação, que começou pela cidade de São Paulo, foca inicialmente em um sortimento restrito de vitaminas, suplementos e medicamentos isentos de prescrição (OTC).
Para o Santander, o movimento é significativo, pois, caso as restrições regulatórias diminuam, a iniciativa abre uma avenida de crescimento para o volume bruto de mercadorias (GMV) da gigante do e-commerce.
De acordo com a análise dos especialistas Lucas Esteves, Eric Huang e Vitor Fuziharo, o impacto financeiro imediato para a companhia deve ser contido, mas o potencial futuro é relevante.
Nesta fase inicial, a empresa opera no modelo 1P (estoque próprio), mas a grande aposta reside na evolução para o marketplace (3P).
Plano
A estratégia do Mercado Livre não parece ser de confronto direto com as redes tradicionais, mas sim de colaboração.
Conforme destacam Esteves, Huang e Fuziharo, “o Mercado Livre espera ser um parceiro, uma vez que as vendas de medicamentos via 3P (estoque de terceiros) sejam aprovadas pelos órgãos reguladores (ANVISA)”.
Essa aprovação permitiria que as grandes redes de farmácias utilizassem a malha logística do Mercado Livre como um canal adicional de vendas, semelhante ao que já ocorre com aplicativos de entrega.
Farmácias
Por enquanto, o setor de farmácias listado na Bolsa deve respirar aliviado. Na visão dos analistas, “há risco limitado no curto prazo para as redes de farmácias sob nossa cobertura, especialmente considerando que o programa ainda está em fase inicial”.
A verificação rápida na plataforma indicou que, apesar da promessa de entregas em três horas, a logística ainda operava com prazos para o dia seguinte no primeiro dia de testes.
O mercado financeiro deve observar os próximos passos com cautela. Ao concluírem a análise, os especialistas ressaltam que “esperamos uma reação majoritariamente neutra do mercado para MELI e para as redes de farmácias” no curto prazo.
O sucesso da empreitada dependerá da capacidade da empresa em navegar pelas complexas regras da Anvisa e em converter a conveniência digital em recorrência de compra para o consumidor de saúde.






