A XP Investimentos reduziu o preço-alvo da MBRF (MBRF3) de R$ 20,90 para R$ 20,50 por ação e manteve a recomendação neutra para o papel, em relatório batizado de “Menor margem para erro”.
A revisão reflete uma perspectiva mais dura para a National Beef, com a oferta restrita de gado nos Estados Unidos, uma normalização mais rápida das margens da BRF e um cenário macro menos amigável, com real forte e juros altos pressionando a geração de caixa e a redução da dívida.
Do lado positivo, pesam a demanda resiliente de exportação na América do Sul e a força da Sadia Halal.
“Embora as operações permaneçam resilientes, vemos a relação risco-retorno menos atrativa“, escreveram os analistas Leonardo Alencar e Leonardo Paiva.
Ciclo do gado pressiona nos EUA
Nos Estados Unidos, o aperto na oferta de bois segue corroendo as margens da indústria frigorífica, e a National Beef, braço norte-americano da companhia, não escapa do ciclo — ainda que venha surpreendendo na comparação com os concorrentes.
“Embora a National Beef continue apresentando desempenho superior ao de seus pares, a rentabilidade deve permanecer significativamente abaixo dos níveis históricos observados no meio do ciclo”, avaliaram Alencar e Paiva.
América do Sul na contramão
Na região, as estimativas foram revisadas para cima, impulsionadas por preços mais fortes tanto na exportação quanto no mercado doméstico de carne bovina, com a oferta global da proteína ajudando a sustentar as cotações.
“O ciclo pecuário brasileiro parece estar se aproximando de um ponto de inflexão, mas as condições de oferta no curto prazo permanecem favoráveis”, apontaram os analistas da XP.
Já na BRF, a corretora incorporou uma normalização de margens mais acentuada, diante do crescimento da oferta de frango no Brasil e de fundamentos mais fracos para suínos. Mesmo com exportações favoráveis e custos de ração comportados, a expectativa é de concorrência mais dura no mercado interno.
Alavancagem sobe e ação sem desconto
As novas premissas macro também cobram seu preço: com a trajetória revisada para o real e juros mais elevados, a XP passou a projetar alavancagem de 3,9 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda em 2026, ante 3,7 vezes na estimativa anterior.
O valuation completa o quadro de cautela. A ação negocia perto de um desvio-padrão acima da média histórica em EV/Ebitda, enquanto as revisões de consenso para o Ebitda de 2027 seguem apontando para baixo.
“A margem de segurança para novas posições se tornou cada vez mais limitada”, concluíram Alencar e Paiva.
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