As ações da Marcopolo (POMO4) caem cerca de 5% nesta sexta-feira, em reação ao relatório em que a XP Investimentos rebaixou a recomendação de compra para neutra. O preço-alvo para o fim de 2027 ficou em R$ 5 por ação.
O motivo do rebaixamento não é o preço do papel, e sim o que a corretora deixou de enxergar nos números operacionais.
“As tendências operacionais recentes sugerem visibilidade limitada para uma recuperação mais clara da lucratividade no curto prazo”, apontam Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, analistas da XP Investimentos.
A produção contraria a expectativa de retomada
O segundo semestre era para ser o período de aceleração, sustentado pelo Move Brasil 2 e por um mix sazonalmente melhor. Os dados mostram o contrário: a produção do terceiro trimestre roda cerca de 15% abaixo do mesmo intervalo de 2025 e desacelera ante o padrão sazonal habitual.
Lá fora, o quadro é misto. A Austrália segue favorável, mas a fraqueza persistente no México limita a contribuição das operações externas até que as melhorias iniciais na Argentina e na Colômbia ganhem escala. Os indicadores antecedentes também enfraqueceram.
Retorno caminhando para o custo de capital
“As tendências recentes apontam para menor lucratividade e retornos entre 2026 e 2028, com o retorno sobre o capital investido convergindo gradualmente para o custo de capital da companhia”, observam Laghi, Urbano e Nippes.
As margens devem recuar na comparação trimestral, pressionadas pela alavancagem operacional menor, pelo real mais forte, pelos mercados internacionais fracos e pela inflação de custos de insumos.
O ajuste nas estimativas foi de peso. A corretora passou a trabalhar com margem Ebitda recorrente perto de 15% e lucro líquido de R$ 950 milhões em 2027, incorporando ao cenário-base um patamar de resultado que antes tratava como cenário pessimista.
“Com as expectativas de lucros ainda sendo revisadas para baixo e um momentum desafiador, vemos espaço limitado para uma reprecificação”, projetam Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, analistas da XP Investimentos.
O papel acumula queda de 23% no ano e de 16% desde o resultado do segundo trimestre, negociando a 5,9 vezes o lucro projetado para 2027, com dividend yield perto de 9%.






