O banco Safra iniciou a cobertura das ações do Banco Mercantil (BMEB3; BMEB4) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 100 por ação, implicando potencial de valorização de 37% frente aos preços atuais.
O relatório, assinado pelo analista Daniel Vaz, projeta lucro líquido de R$ 1,225 bilhão em 2026 e de R$ 1,681 bilhão em 2027, com retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 40,3% e 38,4%, respectivamente.
Mercado subestima a melhora estrutural
O argumento central da tese é que o mercado ainda não precifica adequadamente a transformação em curso no perfil de resultados do banco.
“Acreditamos que as expectativas de mercado ainda subestimam a melhora no perfil de resultados do Mercantil”, afirma Vaz.
O analista destaca que o mix de receitas está se tornando estruturalmente mais equilibrado: “ainda ancorado no crédito consignado, mas cada vez mais apoiado por distribuição digital proprietária e receitas de tarifas com baixa necessidade de capital”, explica.
INSS como núcleo e WhatsApp
A franquia de consignado do INSS segue como o núcleo da tese. O banco possui 10 milhões de clientes totais, sendo 2,2 milhões beneficiários do INSS, dos quais cerca de metade tem relacionamento de crédito. O diferencial competitivo, porém, está na distribuição.
“O Mercantil identificou cedo que, para o público acima de 50 anos, o WhatsApp muitas vezes é uma interface mais natural e de menor atrito do que um aplicativo bancário tradicional”, observa Vaz.
Ao construir uma jornada de originação ponta a ponta dentro do aplicativo de mensagens, o banco reduziu o custo de aquisição de clientes e aumentou as taxas de renovação.
“Não se trata apenas de uma história de digitalização, mas de um moat de distribuição construído em torno do comportamento do cliente-alvo do Mercantil”, avalia o analista.
Meu+ adiciona receitas
O terceiro pilar da tese é o produto Meu+, plataforma de assinatura focada em assistência e benefícios para o público acima de 50 anos.
“Vemos o produto como um mecanismo cada vez mais importante de geração de receitas com tarifas, ajudando a monetizar a base instalada sem consumir capital regulatório”, destaca Vaz.
O analista acredita que, à medida que a penetração avança, “a receita de tarifas pode crescer mais rápido do que o crédito, tornando gradualmente o mix de resultados mais equilibrado e menos dependente exclusivamente de margem financeira”.
Regulação não assusta e valuation segue atrativo
Sobre o novo limite de desconto imposto pelo governo para empréstimos consignados, o Safra vê impacto limitado.
“Vemos um impacto de aproximadamente -5%, dado que o banco não possui uma carteira relevante de cartões consignados”, afirma Vaz.
Com o papel negociando a 7,3 vezes o lucro estimado para 2026 e preço-alvo calculado por modelo de dividendos descontados com custo de capital de 16%, o Safra enxerga assimetria clara.
“Atribuímos o prêmio em relação a outros nomes de consignado ao ROE superior e ao maior crescimento de EPS”, conclui o analista, que aponta como principais riscos a piora macroeconômica, a concorrência, mudanças regulatórias e a dependência do produto consignado do INSS.






