A Cosan (CSAN3) informou que realizou uma operação financeira envolvendo sua participação na Rumo (RAIL3), em movimento alinhado à estratégia de gestão de liquidez e de caixa do grupo. A transação envolve tanto a alienação de ações quanto a contratação de instrumentos derivativos. Desta forma, a empresa de combustíveis permanece no controle da companhia de logística, mesmo com essa venda.
De acordo com o comunicado, a Cosan alienou ações ordinárias de emissão da Rumo equivalentes a aproximadamente 4,98% do capital social total da companhia ferroviária. De forma concomitante, o grupo celebrou contratos de derivativos do tipo total return swap (TRS), que reproduzem a mesma exposição econômica correspondente às ações alienadas.
Segundo a Cosan, a operação tem caráter estritamente financeiro e não implica redução dos direitos políticos e econômicos da companhia em relação à Rumo. Na prática, apesar da venda das ações no mercado, a estrutura com derivativos permite que a Cosan mantenha a exposição aos resultados e à valorização da controlada.
Há alguns dias, foi divulgado que a Ultrapar (UGPA3) estaria interessada nessa fatia de 5% vendida.
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Rumo: Cosan mantém foco na liquidez
A empresa destacou que a iniciativa está inserida em sua política de otimização da estrutura de capital, com foco no reforço da liquidez e na administração eficiente do caixa. O movimento ocorre em um contexto de maior seletividade financeira por parte de grandes grupos empresariais, que têm buscado alternativas para fortalecer a posição de caixa sem alterar o controle ou a estratégia de longo prazo de seus principais ativos.
Apesar de ter obtido uma valorização de 5,46%, nos últimos cinco dias, os papéis da companhia têm uma desvalorização de quase 19% nos últimos seis meses, sendo negociados hoje a R$ 15,84. De um ano para cá, as ações caíram aproximadamente 11%.

Sem concessão renovada no Sul
O Ministério dos Transportes apresentou em novembro a Política Nacional de Concessões Ferroviárias, que estabelece um amplo plano de concessões de ferrovias e rodovias em todo o país, com previsão de investimentos bilionários em infraestrutura. Entre os projetos incluídos está a proposta de licitação da Malha Sul, sem a renovação do atual contrato com a Rumo, mantendo a diretriz inicial de dividir a concessão da Região Sul em três lotes distintos.
De acordo com o planejamento divulgado, dois dos trechos previstos passam por Santa Maria e região, no Rio Grande do Sul. Um deles prevê a ligação do norte do estado ao porto de Rio Grande, enquanto o outro contempla a interligação ferroviária entre São Paulo e a Argentina, por meio do município de Uruguaiana (RS). O terceiro lote abrangeria o trecho entre os portos de Paranaguá, no Paraná, e São Francisco do Sul, em Santa Catarina.
Na apresentação oficial à imprensa, o ministério indicou que os editais dos leilões de concessão desses três trechos poderiam ser publicados em setembro de 2026, com a realização dos leilões em dezembro do mesmo ano. No entanto, durante coletiva, o ministro dos Transportes, Renan Filho, ponderou que ainda não há confirmação definitiva quanto à realização desses certames.
Segundo o ministro, a indefinição está relacionada à conclusão dos estudos de viabilidade econômica, que estão sendo conduzidos pela estatal Infra, além da continuidade das negociações com a Rumo para uma eventual renovação do atual contrato de concessão da Malha Sul, cujo vencimento está previsto para 2027.
Como foi o balanço no 3TRI25
O balanço do terceiro trimestre do ano (3TRI25) deu uma ideia das dificuldades enfrentadas pela companhia de logística. A companhia informou lucro líquido de R$ 416 milhões, uma queda de 39,2% contra o mesmo trimestre do ano passado, quando havia sido de R$ 684 milhões. No acumulado de nove meses até setembro, a empresa de logística reportou lucro líquido de R$ 652 milhões, reveretendo o prejuízo de R$ 690 milhões do mesmo período de 2024.
O ebitda da empresa no terceiro trimestre atingiu R$ 1,996 bilhão, ao passo que no 3TRI24, havia sido de R$ 2,105 bilhões, registrando uma redução de 5,2%. No acumulado do ano, o ebitda foi de R$ 5,228 bilhões contra R$ 3,530 bilhões de 2024, tendo uma alta de 48,1%.
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