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JBS mira S&P 500 e pode atrair US$ 3 bilhões em fluxo passivo

JBS mira S&P 500 e pode atrair US$ 3 bilhões em fluxo passivo

Após consolidar sua listagem nos Estados Unidos e reduzir significativamente o custo da dívida, a companhia agora volta seus esforços para uma reprecificação mais ampla

A JBS (JBSS3) avança em sua estratégia de internacionalização e já projeta um novo gatilho relevante para suas ações: a potencial entrada no S&P 500, movimento que pode destravar cerca de US$ 3 bilhões em fluxos passivos. Após consolidar sua listagem nos Estados Unidos e reduzir significativamente o custo da dívida, a companhia agora volta seus esforços para uma reprecificação mais ampla do valor de mercado.

O tema ganhou destaque após reunião do banco BTG Pactual (BPAC11) com o CFO Guilherme Cavalcanti, que reforçou que a empresa já cumpriu os principais marcos de sua agenda financeira recente. Com a dívida alinhada a padrões de companhias globais com grau de investimento, o foco passa a ser o equity, em um momento em que a JBS busca maior reconhecimento nos mercados internacionais.

O próximo passo mais imediato deve ser a entrada nos índices Russell, possivelmente já em junho, uma vez que a companhia aparenta atender aos critérios exigidos. A expectativa é de que esse movimento gere um fluxo equivalente a três a quatro vezes o volume médio diário negociado das ações, aumentando a liquidez e a visibilidade do papel.

No entanto, a inclusão no S&P 500 ainda depende de etapas adicionais, como a entrega dos relatórios 10-K e 10-Q, free float acima de 50%, ao menos 12 meses de histórico de negociação nos Estados Unidos e valor de mercado mínimo de US$ 22,7 bilhões. Esse processo deve se estender por alguns anos, mas é visto como o principal vetor de valorização estrutural.

Enquanto isso, a companhia segue apoiada em sua estratégia de diversificação global, que tem sido fundamental para suavizar a volatilidade dos resultados, especialmente em momentos desafiadores do ciclo de proteínas.

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Pressão nas margens

Apesar da agenda estratégica positiva, o cenário operacional segue pressionado em algumas frentes. Nos Estados Unidos, a divisão de carne bovina enfrenta margens negativas, reflexo de um ciclo desfavorável, embora haja sinais recentes de melhora nos spreads ao longo de março.

A companhia acredita que o ambiente atual pode levar a novos fechamentos de capacidade na indústria, o que tende a favorecer players mais resilientes. Nesse contexto, a JBS pretende manter sua estrutura produtiva e até ampliar investimentos, apostando em ganhos futuros quando o ciclo se inverter.

Adicionalmente, fatores como a possível reabertura da fronteira com o México e os efeitos climáticos sobre o rebanho norte-americano seguem no radar, podendo impactar a dinâmica de oferta e preços nos próximos meses.

Frango e ciclo virando

No segmento de aves, a expectativa é de normalização após dois anos de margens elevadas. A recomposição da oferta, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, deve pressionar a rentabilidade ao longo de 2026, ainda que a demanda global possa amenizar parte desse movimento.

Dados recentes de exportação indicam preços mais altos e volumes robustos no curto prazo, especialmente com suporte do mercado do Oriente Médio. Contudo, o aumento do número de matrizes no Brasil sinaliza um crescimento relevante da oferta à frente, elevando o risco de compressão mais intensa das margens.

Revisões e projeções

O relatório do BTG aponta que as estimativas mais recentes apontam para um Ebitda consolidado de US$ 6 bilhões sob IFRS16, com margem de 6,5%, e lucro líquido de US$ 1,4 bilhão. A expectativa é de pressão nas margens em praticamente todas as divisões, refletindo o estágio atual do ciclo de proteínas.

Ainda assim, a diversificação segue como principal diferencial da companhia, permitindo atravessar períodos adversos com menor volatilidade de resultados e mantendo a capacidade de geração de caixa.

Mesmo com a perda de tração no curto prazo, analistas avaliam que a JBS ainda apresenta uma das teses de valor mais interessantes do setor de alimentos, tanto em relação aos pares brasileiros quanto às empresas listadas nos Estados Unidos.

A combinação entre potencial de reprecificação via inclusão em índices globais e capacidade de geração de caixa sustenta a visão construtiva para o papel. Nesse contexto, a recomendação de compra (outperform) é mantida, ainda que com menor expectativa de geração de alpha no curto prazo.

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