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IVA já impacta a Weg em 2027 com ganho de 11% no lucro líquido

IVA já impacta a Weg em 2027 com ganho de 11% no lucro líquido

Carga tributária sobre vendas da Weg deve cair de 8,3 pontos percentuais em 2026 para 4 pontos já em 2027

A reforma tributária brasileira, que substitui cinco impostos sobre receita bruta por um modelo unificado de IVA (Imposto sobre Valor Agregado) não cumulativo, posiciona a Weg (WEGE3) como uma das principais beneficiárias do setor industrial.

É essa a conclusão dos analistas Rogerio Araujo, Gabriel Frazão e João Andrade, do Bank of America, que quantificaram o impacto da mudança sobre as margens e o lucro líquido da companhia ao longo do período de transição.

O IVA substitui a cobrança fragmentada de PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS, que hoje incidem sobre a receita bruta das empresas industriais com aproveitamento parcial de créditos. O novo modelo não cumulativo permite deduzir o imposto pago em todas as etapas anteriores da cadeia produtiva, reduzindo a carga efetiva para empresas com alto grau de insumos tributáveis e elevada intensidade de capital.

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É exatamente esse o perfil da Weg.

“Estimamos que 53% dos custos totais são elegíveis à dedutibilidade, representando 25% da receita bruta, enquanto o capex nas operações brasileiras corresponde a 2% a 3% da receita bruta total”, apontam os analistas. Esse conjunto de características faz com que a empresa capture de forma mais ampla os benefícios do novo regime.

Efeitos

O impacto começa já em 2027, quando PIS, Cofins e IPI são eliminados e substituídos pela CBS.

“Estimamos uma queda na carga tributária efetiva sobre vendas de 8,3 pontos percentuais em 2026 para 4 pontos já em 2027”, destacam Araujo, Frazão e Andrade. Esse movimento antecipado traduz um ganho de 2,6 pontos percentuais na margem Ebitda e elevação de 11% no lucro líquido ainda no curto prazo.

No longo prazo, o benefício se consolida.

“Estimamos que a reforma deve adicionar 3 pontos percentuais à margem EBITDA, representando 13% do lucro líquido a partir de 2033”, projetam os analistas.

A carga tributária sobre vendas deve convergir para 5 pontos percentuais, ante os 7,7 pontos atuais – uma redução de 35% na alíquota efetiva.

Há, contudo, um movimento de contramão entre 2029 e 2032: a eliminação progressiva do ICMS, combinada com o fim dos benefícios fiscais estaduais que hoje representam 60 pontos-base de receita para a Weg, reduz parcialmente o ganho líquido no período intermediário.

Ainda assim, o saldo final é amplamente positivo. O BofA reitera recomendação neutra para a ação – o benefício tributário está mapeado, mas ainda precisa ser absorvido pelo mercado. O preço-alvo é de R$ 55.