A ISA Energia (ISAE4) vive um momento de forte expansão, mas ao custo de um avanço relevante da alavancagem, que já atinge 3,5 vezes a relação dívida líquida/EBITDA ajustado — ou 4,0 vezes sem considerar equivalência patrimonial — em um cenário de juros elevados e pressão sobre receitas. O movimento reflete um ciclo intenso de investimentos, com fluxo de caixa livre negativo e expectativa de continuidade dessa tendência nos próximos anos.
De acordo com relatório do BB Investimentos, a companhia deverá manter um ritmo robusto de aportes, estimado em cerca de R$ 4 bilhões anuais entre 2026 e 2027. A projeção é que a alavancagem continue avançando, podendo superar 4,5 vezes até 2028, período que coincide com o fim do recebimento das indenizações da RBSE (Rede Básica do Sistema Existente), atualmente em torno de R$ 1,9 bilhão por ano.
No campo operacional, a empresa apresenta uma dinâmica considerada positiva, impulsionada pela entrada em operação de novos projetos de transmissão, que vêm sustentando o crescimento de receita. Além disso, o controle eficiente de custos e despesas operacionais tem contribuído para preservar a rentabilidade, mesmo diante de pressões relevantes no topo da linha.
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Revisões tarifárias negativas
Ainda assim, o impacto das revisões tarifárias e decisões regulatórias tem sido negativo. A redução dos valores recebidos da RBSE, somada à revisão tarifária do contrato 059/2001 — com efeitos a partir de julho de 2024 — resultou em queda de receita de 3,1% no quarto trimestre de 2025 e de 4,5% no acumulado do ano. O controle de despesas ajudou a amortecer os efeitos, mantendo o EBITDA relativamente estável no trimestre, mas não evitou uma retração anual de 5,4%.
Segundo o BB Investimentos, o crescimento atual está alinhado à estratégia da ISA Energia de utilizar os recursos provenientes das indenizações da RBSE para financiar sua expansão, compensando a perda futura dessa receita após 2028.
Apesar do aumento da alavancagem, a instituição mantém visão positiva sobre a qualidade de crédito da companhia. O segmento de transmissão é caracterizado por alta previsibilidade de fluxo de caixa, além de margens elevadas e contratos de longo prazo — geralmente com duração de 30 anos —, o que tende a favorecer um processo de desalavancagem mais rápido após a maturação dos investimentos.






