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IRB (IRBR3) tem início de ano fraco e acende alerta do Safra

IRB (IRBR3) tem início de ano fraco e acende alerta do Safra

Queda dos prêmios, piora da sinistralidade e índice combinado acima de 100% levaram o Safra a adotar tom mais cauteloso com o IRB (IRBR3) nos dados de janeiro.

A queda dos prêmios emitidos e a piora dos indicadores técnicos abriram 2026 em tom mais fraco para o IRB (IRBR3). Nos dados de janeiro, o Safra avaliou que o ressegurador teve um começo de trimestre pressionado, com perda de força na subscrição e lucro ainda sem tração para acelerar.

Os prêmios emitidos recuaram 5% na comparação anual, para R$ 595 milhões, puxado tanto pela operação internacional, que caiu 9%, quanto pela carteira doméstica, com retração de 3%.

No Brasil, a leitura do Safra é que janeiro foi marcado por forças opostas. De um lado, renovações de contratos que podem ter ajudado o crescimento. Do outro, a continuidade da fraqueza no segmento rural.

“Os prêmios emitidos caíram 5% na comparação anual, mais uma vez comprometendo o desempenho mensal de subscrição do IRB”, escreveram os analistas do Safra.

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IRB: subscrição pressionada

A retração dos prêmios veio acompanhada de uma piora mais visível nos indicadores técnicos. A taxa de retrocessão subiu para 23%, alta de 13 pontos porcentuais em um ano, o que levou a uma queda de 10% nos prêmios ganhos retidos.

Ao mesmo tempo, os sinistros retidos caíram menos do que os prêmios, enquanto o IBNR, a provisão para sinistros ocorridos, mas ainda não avisados, voltou a pressionar o resultado.

Com isso, a sinistralidade avançou para 66,8% em janeiro, alta de 230 pontos-base na comparação anual.

Os custos de aquisição também pesaram, com crescimento de 31% frente a dezembro. O resultado foi um índice combinado de 108,9%, acima dos 103,7% de um ano antes e bem pior que os 93,4% registrados no mês anterior. Em resseguros, um índice acima de 100% indica que a operação de subscrição, sozinha, consome valor.

“Com os prêmios ganhos consolidados em queda de 10% na comparação anual, os leves aumentos em sinistros IBNR e custos de aquisição resultaram em uma deterioração mais acentuada do desempenho de subscrição”, afirmaram os analistas do Safra.

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Lucro ainda sem tração

O lucro líquido do IRBR3 ficou em R$ 17 milhões em janeiro. Embora o número tenha permanecido no azul, a fotografia do mês sugere um ritmo ainda fraco, especialmente diante da piora dos indicadores operacionais.

A receita financeira somou R$ 49 milhões e melhorou na comparação mensal, mas não foi suficiente para compensar a pressão das demais linhas.

Para o Safra, o dado mais relevante talvez esteja menos no lucro isolado de janeiro e mais na tendência.

O banco observa que, desde julho, o lucro líquido acumulado em 12 meses tem orbitado em torno de R$ 500 milhões, sem uma expansão mais consistente da última linha. Em outras palavras, o IRB preserva rentabilidade, mas ainda não conseguiu mostrar uma nova fase de crescimento.

“Reconhecemos a volatilidade dos números mensais, mas esperamos ver uma expansão mais material da última linha, com o suporte dos prêmios, apenas ao longo do ano”, destacou o Safra.

Por isso, a mensagem do banco segue de cautela. O Safra mantém recomendação neutra para IRB (IRBR3), com preço-alvo de R$ 61, diante de um início de ano ainda pressionado por prêmios mais fracos e por uma subscrição que voltou a perder força.