Apesar do mercado acionário brasileiro estar sob a influência das oscilações causadas pelo surto do coronavírus, o Banco Safra fez uma revisão para cima de sua estimativa para o Ibovespa. O banco considera que a bolsa possa superar os 140.000 pontos ao final de 2020 – antes a previsão era de 130.000 pontos. A mudança das expectativas tem como base a queda do risco-país, as previsões de recuperação econômica, a redução das taxas de juros e a consequente tendência de migração dos investidores para a renda variável, em detrimento da renda fixa.
No relatório, os analistas Luis F. Azevedo, Silvio Dória e Cauê Pinheiro destacam que essa condição mais benigna para investimentos em renda variável deve reduzir o chamado “risco bolsa”, por isso a estimativa para esse indicador foi reduzida de 5,5% para 5% no modelo de precificação do banco. “Considerando uma análise Preço/Lucro 12 meses futuros, percebemos que o Ibovespa já apresentou uma reprecificação em termos de múltiplos, porém entendemos que ainda há espaço para a continuidade deste movimento”, diz o relatório.
O aumento de investidores na bolsa e em fundos multimercado visto no ano passado já elevou a representatividade do mercado acionário no mercado de capitais em geral em 2019 na comparação com anos anteriores. Além disso, o volume recorde de ofertas de papéis de renda fixa e variável refletiu a queda de juros e mostrou que o funding dos investimentos antes mais alocado em bancos e no BNDES foi para o mercado de capitais. Movimentos que devem continuar esse ano com a iniciativa de desinvestimento das instituições.
O relatório também destaca as reformas já realizadas, sobretudo a da Previdência, e as que devem ser votadas esse ano, como a administrativa e talvez a tributária, montando um cenário mais favorável para investimentos.
Na revisão para o preço alvo do Ibovespa, o Safra adotou uma análise por múltiplos (top down), baseada em projeção de lucro para o Ibovespa em 2021. “Determinamos como múltiplo alvo a razão de 14,8x (Preço/Lucro), o que é superior ao nosso múltiplo alvo anterior que era de (13,5x), derivados do modelo de Gordon, atualizado com nossas novas premissas de taxa de desconto”, diz o relatório. Os analistas mantiveram a expectativa de payout em cerca de 44% do lucro e um crescimento de lucro no longo prazo de 8,0% (0,5 ponto inferior a premissa anterior.
O relatório menciona como fatores de risco para o não cumprimento dessas previsões a desaceleração acentuada da economia global, em razão de eventuais disputas comerciais e do surto de coronavírus, o aumento da taxa de juros e o menor crescimento da economia brasileira.






