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Ibovespa salta 3% com “trade eleitoral” e caça por barganhas

Ibovespa salta 3% com “trade eleitoral” e caça por barganhas

O dólar caiu 0,92%, a R$ 5,11, enquanto Magazine Luiza liderou os ganhos do índice com valorização de 16,67%

O Ibovespa fechou esta quarta-feira (2) em alta de 3,05%, aos 185.205 pontos, na 11ª sessão consecutiva de ganhos e no maior patamar em cerca de quatro meses. O avanço veio amparado pelos setores de maior peso no índice, como bancos e commodities, e pelas ações ligadas ao ciclo doméstico, favorecidas pela queda da curva de juros. O dólar recuou 0,92%, a R$ 5,11.

Os investidores buscaram ações descontadas depois da divulgação das mensagens trocadas entre o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

“No Brasil, o ambiente externo mais favorável se somou, ao que tudo indica, à forte entrada de recursos estrangeiros, impulsionando os ativos locais”, afirma a Ágora Investimentos.

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Sobe e desce

Entre as maiores altas do dia, Magazine Luiza (MGLU3) liderou com valorização de 16,67%, a R$ 5,39, seguida por Vamos (VAMO3), que subiu 15,10%, a R$ 3,43, e Azzas 2154 (AZZA3), com ganho de 11,55%, a R$ 16,81. C&A (CEAB3) avançou 7,98%, a R$ 9,47, e Assaí (ASAI3) subiu 7,29%, a R$ 9,12.

Na ponta negativa, apenas quatro papéis do índice fecharam no vermelho: Rumo (RAIL3) caiu 4,31%, a R$ 14,64, Cosan (CSAN3) recuou 3,78%, a R$ 3,82, Totvs (TOTS3) perdeu 0,77%, a R$ 34,72, e SLC Agrícola (SLCE3) cedeu 0,06%, a R$ 16,30.

Exterior misto e Treasuries em queda

Lá fora, os mercados tiveram desempenho misto ao longo da sessão, com os investidores avaliando o Livro Bege do Federal Reserve, que apontou crescimento moderado da atividade econômica em boa parte dos distritos dos Estados Unidos.

Dados de emprego mais fracos divulgados antes seguem alimentando a expectativa de uma postura menos restritiva do banco central americano, o que contribuiu para a acomodação dos rendimentos dos Treasuries, que fecharam em baixa nos vencimentos curtos e intermediários. O petróleo sustentou viés positivo e o ouro interrompeu a sequência recente de perdas.

“Os investidores também repercutiram indicadores de atividade mais moderados, que reforçam a percepção de continuidade do processo de flexibilização monetária nos próximos meses”, avalia a Ágora Investimentos.

Sede do STF com gráficos de mercado financeiro
(Fotos: Gustavo Moreno/SCO/STF com intervenção do Copilot)

Incerteza institucional vira gatilho de compra

O que tem movido a Bolsa não é a certeza, e sim a ausência dela. Não se sabe quais serão os próximos passos da Corte após a divulgação das mensagens, e essa indefinição vem sendo lida pelo mercado como aumento da chance de mudança política em 2027.

“Talvez seja a situação mais séria desde a Constituição de 1988. Para a institucionalidade do Brasil é bem ruim, mas pode destravar movimentações positivas. Enquanto isso, o mercado vai precificando antecipadamente a saída do governo do PT, com queda dos juros futuros e alta no preço das ações“, afirma um gestor da Faria Lima que pediu para não ser identificado.

O mesmo profissional resume a lógica de quem está comprando: a volatilidade cria oportunidade e ninguém acerta o momento exato da virada. Na avaliação dele, as empresas brasileiras estão valendo muito pouco, e uma eventual troca de governo faria os preços dispararem.

“Um dano relevante à imagem do ministro eleva naturalmente o ex-presidente e todo o seu entorno, que sempre fez acusações a ele. É natural esperar que Flávio Bolsonaro ganhe momentum com a divulgação e que Lula perca, uma vez que sempre defendeu o Judiciário“, avalia Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Nem só o Supremo explica a alta

Há outros vetores em operação. Os juros locais vêm cedendo com força, o mercado passou a atribuir probabilidade maior a novos cortes e o capital estrangeiro voltou a entrar na Bolsa nos últimos dias. As pesquisas apontando eleição mais apertada já vinham desde a semana passada, antes das mensagens virem a público.

É difícil cravar um motivo único para a alta de hoje, talvez seja o conjunto. Não sei se as notícias do Supremo vão respingar tão diretamente na eleição, porque também roubam a atenção das investigações sobre o Lulinha, o que, a meu ver, teria um impacto potencial até maior”, pondera João Neves, analista de ações da EQI Research.

À tribuna, em discurso, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
(Foto: Carlos Moura/ Agência Senado)

Citi divide a carteira por cenário eleitoral

O Citi avalia que a eleição deve orientar a rotação de portfólios na B3 ($B3SA3), mas ressalta que a credibilidade do ajuste fiscal e a governabilidade em um Congresso fragmentado é que vão determinar o desempenho dos ativos em 2027.

Para o banco, o ajuste é inevitável nos dois desfechos, mudando apenas a forma de condução.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de lançamento da Fragata “Cunha Moreira”
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de lançamento da Fragata “Cunha Moreira” (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Em caso de reeleição de Lula, a preferência recai sobre papéis resilientes a qualquer cenário, com balanços desalavancados, poder de repasse de preços e exposição a programas federais como o Minha Casa Minha Vida.

As escolhas são Cury (CURY3), Embraer (EMBR3), WEG (WEGE3), Axia Energia (AXIA3), Copel (CPLE3), Bradsaúde (SAUD3), Ultrapar (UGPA3), Gerdau (GGBR4), BTG Pactual (BPAC11) e Caixa Seguridade (CXSE3).

Numa vitória de Flávio Bolsonaro, a estratégia muda de eixo. O banco passa a favorecer ações de maior duration, mais sensíveis à queda dos juros longos, além de modelos cíclicos e companhias seletivamente alavancadas.

A lista reúne Cyrela (CYRE3), Multiplan (MULT3), Sabesp (SBSP3), Assaí (ASAI3), C&A (CEAB3), Hapvida (HAPV3), Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), XP (XP, na NasdaqXPBR31) e B3 ($B3SA3).

JPMorgan vê desconto em saúde, indústria e telecomunicações

O JPMorgan diz que a Bolsa brasileira parece barata em várias métricas, mas alerta que os juros elevados e os lucros excepcionalmente fortes de commodities distorcem a leitura. Pela média de cinco anos, que o banco considera mais adequada, o mercado negocia a 8,3 vezes o lucro projetado, contra média histórica de 7,7 vezes.

Saúde, telecomunicações, indústria e consumo discricionário negociam com desconto ante as próprias médias de cinco anos.

Somando as perspectivas de lucro para 2027, o banco enxerga as oportunidades mais atrativas em financeiras, telecomunicações, saúde e indústria.

Entre as maiores ações do Ibovespa, os destaques de valuation são Embraer (EMBJ3), Axia Energia (AXIA3), Eneva (ENEV3), WEG (WEGE3) e Localiza (RENT3). O banco também vê desconto relevante em BTG Pactual (BPAC11), B3 ($B3SA3), Suzano (SUZB3), RD Saúde (RADL3) e Rede D’Or (RDOR3).

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