A semaglutida, remédio conhecido pelo uso no tratamento da obesidade e do diabetes, pode virar um novo gatilho de valor para a Hypera (HYPE3) na visão do Santander (SANB11).
Ao atualizar suas estimativas para a farmacêutica após os resultados do quarto trimestre de 2025 e o aumento de capital, o banco manteve a recomendação de compra, mesmo com a redução do preço-alvo de R$ 33 para R$ 30,50.
Os analistas explicam que a tese é sustentada por três pontos:
- melhora da geração de caixa após a capitalização,
- valuation ainda atrativo e
- a possibilidade de a companhia estar entre as primeiras a lançar um genérico de marca da semaglutida no Brasil.
Para o Santander, esse vetor pode ganhar peso sobretudo a partir de 2027.
Caixa entra no centro da tese
Antes de entrar na semaglutida, o banco chama atenção para um ponto que passou a ter mais relevância no caso de investimento: o caixa.
Na visão do Santander, a Hypera vinha sofrendo com uma combinação de alavancagem elevada e juros altos, o que reduzia sua capacidade de transformar operação em fluxo de caixa livre de forma mais robusta.
“Estamos atualizando nossas estimativas para Hypera após os resultados do quarto trimestre de 2025 e o aumento de capital. Apesar da redução do preço-alvo, reiteramos nossa recomendação de compra para a Hypera, com base em um valuation ainda atrativo, melhores tendências de geração de caixa, após o aumento de capital, e uma narrativa aprimorada com a expiração da patente de semaglutida no Brasil”, escreveram os analistas.
Com isso, o Santander passou a projetar rendimento de fluxo de caixa livre de aproximadamente 5% em 2026 e de 8% em 2027. O banco também avalia que a ação segue negociando a múltiplos atrativos, a 8,8 vezes e 7,6 vezes o lucro ajustado estimado para 2026 e 2027, respectivamente, além de ver pouco espaço para revisões negativas relevantes em relação ao consenso.
“Em nossa visão, a alavancagem e as altas taxas de juros estavam impedindo a Hypera de gerar um fluxo de caixa livre mais robusto. Agora, após o aumento de capital e o bem-sucedido processo de otimização do capital de giro, a Hypera pode entregar um rendimento de FCL de aprox. 5% em 2026 e 8% em 2027”, destacou o relatório.
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Semaglutida vira gatilho
É nesse contexto que a semaglutida aparece como um potencial reforço da tese. Para o Santander, a Hypera pode capturar uma avenida adicional de crescimento com o vencimento da patente no Brasil, num momento em que a estrutura financeira da empresa tende a ficar menos pressionada.
“Além disso, esperamos que a Hypera esteja entre as primeiras empresas a lançar o genérico de marca da semaglutida, o que ainda representa potencial de alta para nossas estimativas, especialmente em 2027 em diante. Por fim, a execução de sell-out segue como um pilar-chave da tese, e projetamos ganho de participação de mercado”, afirmaram os analistas.
O banco projeta crescimento de sell-out de 7,5% em 2026, acima dos 6,8% estimados para 2025, o que reforça a visão de continuidade operacional. Para o Santander, a combinação entre caixa em melhora, possível avanço com semaglutida e ganho de mercado ajuda a sustentar a recomendação de compra, mesmo após o corte no preço-alvo.
Para o primeiro trimestre de 2026, porém, a expectativa é de um começo de ano mais fraco, em linha com a sazonalidade tradicional da companhia. O Santander estima receita de R$ 1,973 bilhão, margem Ebitda ajustada de 28,5%, lucro líquido ajustado de R$ 298 milhões e investimento em capital de giro equivalente a 32% da receita líquida.
“Esperamos que os padrões sazonais tradicionais voltem a aparecer no primeiro trimestre de 2026, resultando em receitas mais fracas no início do ano em comparação com o segundo, terceiro e quarto trimestres. Como consequência, projetamos que o primeiro trimestre de 2026 apresente a menor margem do ano”, escreveu o banco.






