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Hypera ainda precisa de “sinais encorajadores” para recomendação de compra

Hypera ainda precisa de “sinais encorajadores” para recomendação de compra

Receita líquida de R$ 2,4 bilhões cresceu 48% no ano sobre base comparativa fraca impactada pelo início do plano de turnaround em 2024

A Hypera (HYPE3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com resultados que agradaram em rentabilidade e geração de caixa — mas deixaram uma interrogação sobre o crescimento orgânico. Para os analistas Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio, do Banco Safra, o resultado foi positivo, porém insuficiente para mudar a recomendação Neutra.

A base de comparação ajudou.

“O crescimento de 48% na receita no ano reflete o impacto negativo que o quarto trimestre de 2024 sofreu com o início do plano de turnaround e os ajustes em recebíveis para melhorar a dinâmica de capital de giro”, contextualizam os analistas. A receita líquida de R$ 2,4 bilhões ficou apenas 2% acima das estimativas do Safra — resultado considerado em linha.

A rentabilidade voltou aos níveis históricos. O Ebitda totalizou R$ 748 milhões, com margem de 33,5% — estritamente alinhada com as projeções do Safra.

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“A margem bruta de 61,6% avançou 955 pontos-base na comparação anual, impulsionada pela melhora no mix de vendas e ganhos de eficiência, já que os ajustes de estoque e capital de giro no quarto trimestre de 2024 haviam prejudicado a operação”, explicam Pini, Granello e Sartorio.

O destaque positivo foi o lucro líquido.

“O resultado veio R$ 450 milhões, 14% acima de nossas estimativas, devido a resultados financeiros melhores do que o esperado”, apontam os analistas.

A melhora no ciclo de caixa também chamou atenção: o capital de giro anualizado como percentual das vendas recuou de 54% no 4T24 para 30% no 4T25, enquanto a alavancagem caiu para 2,6 vezes o Ebitda. A geração de caixa livre de R$ 497 milhões reforça a trajetória de desalavancagem.

Mas o sell-out preocupa.

“O sell-out cresceu 6,8% no ano, consideravelmente abaixo dos dados do Sindusfarma para medicamentos sem patente no 4T25, que apontaram crescimento de 9,6%”, alertam os analistas.

A companhia argumenta que o mercado cresceu 6,1% nas categorias em que opera — mas o gap persiste.

“Até vermos sinais mais encorajadores de crescimento e desalavancagem, mantemos nossa recomendação Neutra, com a ação negociando a 7,5 vezes o lucro de 2026”, concluem Pini, Granello e Sartorio.