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GPS: 3 pontos que chamam a atenção, segundo o BTG

GPS: 3 pontos que chamam a atenção, segundo o BTG

BTG mantém compra para GPS com papel a 10 vezes o lucro em caixa de 2026, avaliando que três aquisições em um mês reduzem o risco

O BTG Pactual mantém recomendação de compra para o Grupo GPS (GGPS3), avaliando que a tese de longo prazo permanece intacta apesar de 2026 ter sido um ano turbulento em termos de notícias. O papel negocia a 10 vezes o lucro em caixa estimado para 2026, patamar que o banco considera mínimo histórico.

“2026 tem sido um ano agitado para a GPS, especialmente em termos de fluxo de notícias, mas a retomada da atividade inorgânica, os desenvolvimentos positivos no litígio do Sistema S e a melhora gradual nas provisões trabalhistas devem ajudar a compensar esses ventos contrários”, avaliaram os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG Pactual.

1. M&A volta ao ritmo com três aquisições em um mês

Após um primeiro trimestre com poucas transações, a GPS anunciou três aquisições em sequência: Grupo Sei, Uniflex e Aster, todas em segmentos core da companhia (segurança, alimentação e facilities), representando juntas cerca de R$ 488 milhões em receita atribuível à participação da GPS.

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O mercado estava preocupado com o ritmo de aquisições, especialmente diante do churn (taxa de cancelamento de clientes) esperado na GRSA, que inevitavelmente pesará no crescimento orgânico neste ano.

“Após os resultados do primeiro trimestre, reduzimos nossa projeção de crescimento inorgânico para 2026 para R$ 1,3 bilhão, ante R$ 1,7 bilhão anteriormente, dado o grande atraso nos novos negócios. No entanto, esse lote recente de anúncios ajuda a reduzir o risco das nossas estimativas de receita inorgânica”, disseram Marquiori, Recchia e Alkmim.

A integração deve ser mais rápida por se tratar de negócios dentro dos segmentos que a GPS já conhece bem.

2. Sistema S avança, mas decisão final ainda pendente

O STJ publicou o acórdão do Tema 1.079, rejeitando a tentativa da Fazenda Nacional de reverter a modulação que reconheceu a não sujeição das contribuições ao Sistema S ao teto de 20 salários mínimos. É um passo relevante, mas a decisão ainda não transitou em julgado, e as partes têm prazo para apresentar recursos.

“A publicação do acórdão marca uma etapa importante na primeira fase do caso do Sistema S da GPS. Estimamos que essa primeira fase representa cerca de 45% da provisão total da companhia no primeiro trimestre, aproximadamente R$ 340 milhões, que devem ser revertidos pelo resultado”, calcularam os analistas.

O BTG acredita que a conclusão dessa fase deve ocorrer até o fim do ano, e que os tribunais provavelmente adotarão o mesmo raciocínio na segunda fase do caso, que representa os 55% restantes.

3. Regulação trabalhista: atraso no Senado dá tempo de preparação

O fim da jornada 6×1 passou pela Câmara e agora aguarda votação no Senado, mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, sinalizou que não pautará o tema antes de uma reunião com Lula, ainda sem data marcada. O atraso é favorável para as empresas do setor de facilities.

“Atrasar a decisão sobre a mudança na regulação trabalhista dá às empresas de facilities tempo para se preparar. Mais importante, a nova regulação também deve apertar a oferta de trabalho, pressionando os salários para cima e, por extensão, a base de custos da companhia”, alertaram Marquiori, Recchia e Alkmim.

Eventuais aumentos de custo só devem ser refletidos em 2027, salvo acionamento de mecanismos extraordinários de reequilíbrio contratual. No longo prazo, a mudança pode até fortalecer o posicionamento competitivo da GPS na consolidação do mercado brasileiro de terceirização.

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