Reajustes do aço nos Estados Unidos e um real mais fraco levaram o Itaú BBA a elevar a recomendação da Gerdau (GGBR4) para compra. O banco aumentou o preço-alvo de R$ 29 para R$ 31 para o fim de 2027, por entender que a melhora na América do Norte supera a recuperação mais lenta do Brasil.
O novo alvo representa potencial de alta de aproximadamente 29% sobre os R$ 24 usados como referência no relatório, de 28 de outubro. O BTG Pactual também manteve compra, com preço-alvo de R$ 28 em 12 meses.
“Continuamos vendo a Gerdau como um dos nomes mais atraentes entre as empresas que cobrimos, particularmente por sua exposição relevante ao mercado americano, onde os preços seguem favoráveis e a rentabilidade continua superando as expectativas. Os resultados mais recentes reforçam a força desse posicionamento, com as margens norte-americanas agora próximas de 28%, bem acima dos níveis históricos”, afirma o BTG.
América do Norte e câmbio sustentam a tese
O BBA destaca aumentos nos preços de barras, vigas e vergalhões nos EUA ao longo do terceiro trimestre e no início do quarto. A carteira de pedidos supera 100 dias, e a margem Ebitda da América do Norte atingiu 27,7% no 3T26, o maior nível desde 2022.
Para 2027, o banco elevou a projeção de margem da região de 21,3% para 24,6%. A estimativa de Ebitda consolidado passou a R$ 14,24 bilhões, alta de 2,4% sobre a previsão anterior. O BBA também projeta dividend yield próximo de 9% para o ano.
A exposição ao dólar reforça o interesse do BTG. Em sua análise de sensibilidade, uma desvalorização de 10% do real poderia elevar o Ebitda em aproximadamente 15%, mantidas as demais premissas do modelo.
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Brasil ainda precisa de cautela
No mercado brasileiro, o BBA reduziu a margem Ebitda estimada para 2027 de 14,4% para 11,7%. Segundo a casa, o projeto Miguel Burnier deve contribuir com cerca de R$ 400 milhões ao Ebitda em 2027, abaixo do potencial integral de R$ 1,1 bilhão considerado na análise.
“O Brasil continua sendo o elo mais fraco, e os benefícios de Miguel Burnier devem ser menores e chegar mais tarde. A administração espera compressão da margem no Brasil no quarto trimestre de 2026, diante da demanda sazonalmente mais fraca, de uma maior participação das exportações e da pressão sobre os preços do aço, enquanto o consumo aparente permanece afetado pela inflação e pelos juros elevados”, escreve o BBA.
Entre os riscos, o banco cita uma desaceleração dos investimentos em data centers e energia nos EUA, um eventual acordo comercial com o México que pressione os preços do aço e uma reversão da desvalorização do real.






