A Equatorial (EQTL3) segue bem posicionada para capturar ganhos com mudanças regulatórias no setor elétrico, na avaliação do Bradesco BBI. Em relatório de atualização das estimativas para a companhia, o banco afirma que a proposta da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para revisar o fator X das distribuidoras reduz riscos regulatórios e melhora a perspectiva de retorno para empresas do segmento, embora o cenário de juros mais altos tenha impedido uma elevação do preço-alvo das ações.
O Bradesco BBI destaca que a principal novidade da revisão é a recalibragem do componente de produtividade (Pd), mecanismo que integra o fator X e influencia os reajustes tarifários das distribuidoras. Na visão dos analistas, a proposta caminha na direção correta ao reduzir o intervalo entre os ganhos de produtividade das empresas e sua incorporação às tarifas, tornando o ambiente regulatório mais previsível.
Segundo os cálculos do banco, a mudança adiciona cerca de 6% ao valor justo estimado para a Equatorial, considerando o conjunto de suas distribuidoras. O impacto, no entanto, varia conforme as projeções de cada instituição para despesas operacionais, investimentos e crescimento do mercado de energia.
Nova metodologia
Os analistas ponderam que a nova metodologia também prevê o compartilhamento de parte dos ganhos de eficiência com os consumidores. Pela proposta, 50% dos ganhos ou perdas de produtividade das distribuidoras serão refletidos nas tarifas, o que reduz parcialmente o potencial de expansão de longo prazo das empresas mais eficientes.
Além da análise regulatória, o Bradesco BBI atualizou seu modelo para incorporar a aquisição de uma participação adicional de 30% na Copasa, reforçando a estratégia de diversificação da Equatorial no segmento de saneamento.
Outro fator positivo identificado pelo banco é a expectativa de maior consumo de energia em 2026. A instituição elevou sua projeção de crescimento consolidado do volume de vendas para aproximadamente 5% na comparação anual, considerando a previsão de um forte fenômeno El Niño, que historicamente impulsiona a demanda por eletricidade devido às temperaturas mais elevadas.
Na avaliação do BBI, empresas como a Equatorial costumam ser beneficiadas por esse cenário, já que o aumento do consumo de energia tende a se refletir em melhores resultados operacionais para as distribuidoras.
Apesar desses fatores positivos, o banco manteve seu preço-alvo para as ações da companhia em R$ 54 ao fim de 2026. A decisão reflete principalmente a revisão das expectativas macroeconômicas para o Brasil, com a postergação da queda da taxa básica de juros, o que aumenta as despesas financeiras projetadas para 2026 e 2027 e reduz parte do impacto positivo das mudanças regulatórias.
Ainda assim, o Bradesco BBI mantém uma visão favorável para a Equatorial. Com base nas estimativas atualizadas de fluxo de caixa, o banco calcula que as ações negociam com uma taxa interna de retorno (TIR) real de aproximadamente 11,6%, equivalente a um prêmio de cerca de 3,7 pontos percentuais em relação aos títulos públicos de longo prazo indexados ao IPCA.
Para os analistas, esse nível de retorno continua atrativo para uma companhia considerada um ativo de qualidade dentro do setor de infraestrutura, sustentando uma perspectiva positiva para a Equatorial mesmo diante de um ambiente macroeconômico mais desafiador.
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