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Embraer tem balanço “reprovado” pelo mercado; entenda

Embraer tem balanço “reprovado” pelo mercado; entenda

Queima de caixa livre excluindo EVE somou US$ 447 milhões no trimestre, acima dos US$ 386 milhões do mesmo período de 2025, reflexo de maior capital de giro

A Embraer (EMBJ3) entregou um trimestre mais negativo do que o esperado no primeiro trimestre de 2026, com receita acima das estimativas, mas queima de caixa mais alta e lucro líquido significativamente abaixo das projeções.

Para os analistas Luiza Mussi e Lucas Melotti, do banco Safra, o resultado foi impactado por itens específicos que distorcem a leitura — e a recomendação de outperform (compra) para o papel foi mantida, com preço-alvo de US$ 92 e potencial de valorização de 36%.

“A receita cresceu 31% anual para US$ 1,45 bilhão, impulsionada por forte desempenho em todas as divisões de negócios”, afirmam os analistas.

Embraer
(Imagem: Embraer)

Defesa e Serviços como destaques

A divisão de Defesa e Segurança foi o principal destaque positivo, com receita avançando 63% anual — sustentada pela maior receita reconhecida do KC-390 Millennium e pelo aumento da produção do Super Tucano. A margem Ebit da divisão saltou de -1,6% no primeiro trimestre de 2025 para 17% no período atual, beneficiada por alavancagem operacional e por um ganho não recorrente de US$ 25 milhões.

Serviços e Suporte também se destacou, com margem Ebit avançando 440 pontos-base anual para 14,3%.

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“O Ebit ajustado cresceu 53% anual para US$ 94 milhões, mas a margem de 6,5% ficou 88 pontos-base abaixo do consenso, principalmente pelo impacto de US$ 13 milhões em tarifas americanas”, detalham Mussi e Melotti.

Comercial e Executiva pressionam

As divisões de Aviação Comercial e Executiva foram os pontos negativos do trimestre.

A Aviação Comercial registrou margem Ebit de -9,7% — queda de 490 pontos-base anual —, pressionada por mix de clientes, maiores custos logísticos e base de comparação desfavorável.

A Aviação Executiva viu sua margem recuar 530 pontos-base para 6%, impactada pelo mix de clientes, tarifas americanas e maiores despesas de venda associadas ao lançamento do Praetor 500/600E.

Lucro distorcido por comparação e caixa preocupa

O lucro líquido ajustado atingiu US$ 28 milhões — queda de 45% anual, 32% abaixo da estimativa do Safra e 46% abaixo do consenso.

“O resultado reflete principalmente o forte ganho de imposto diferido registrado no primeiro trimestre de 2025, de US$ 124 milhões, que mais do que compensou a melhora de margem”, explicam os analistas.

A queima de caixa livre excluindo EVE foi de US$ 447 milhões — acima dos US$ 386 milhões do mesmo período do ano anterior.

“A queima maior foi principalmente decorrente de maior capital de giro em preparação para entregas mais fortes de aeronaves nos próximos trimestres”, concluem Mussi e Melotti — reforçando a visão positiva sobre a trajetória de médio prazo da companhia.