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Embraer desacelera entregas de jatos no segundo trimestre

Embraer desacelera entregas de jatos no segundo trimestre

A combinação desses fatores reforça uma leitura cautelosa para o desempenho da fabricante brasileira ao longo do ano

A Embraer (EMBJ3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com um ritmo mais lento de entregas de aeronaves comerciais, em um cenário que também continua marcado pela fraqueza da demanda global por transporte aéreo. A combinação desses fatores reforça uma leitura cautelosa para o desempenho da fabricante brasileira ao longo do ano, segundo avaliação do Banco Safra.

Com base em dados preliminares da plataforma Planespotters, o banco estima que a Embraer entregou nove jatos comerciais em junho, uma queda de 18% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do segundo trimestre, as entregas somaram 16 aeronaves, recuo de 11% na comparação anual.

Embora o menor volume de entregas reduza a alavancagem operacional da companhia, o Safra observa que a composição das aeronaves entregues foi mais favorável. Os modelos da família E1 representaram 56% das entregas de junho, abaixo dos 73% registrados um ano antes. Além disso, apenas um quarto das aeronaves do trimestre foi destinado a clientes de menor rentabilidade, ante 33% no segundo trimestre de 2025. Na visão dos analistas, esse perfil pode compensar parcialmente o impacto negativo do menor número de entregas sobre os resultados.

Execução do guidance

Ainda assim, o banco chama atenção para o ritmo de execução da guidance da companhia. No acumulado do ano até junho, a Embraer entregou 26 jatos comerciais, volume estável em relação ao mesmo período de 2025. O número equivale a 33% do piso da projeção anual da fabricante, levemente abaixo dos 34% registrados no mesmo estágio do ano passado. Para o Safra, o indicador sugere uma evolução mais lenta das entregas em direção às metas estabelecidas para 2026.

O cenário operacional também encontra desafios do lado da demanda. Dados da IATA AirTrack mostram que o tráfego global de passageiros, medido em passageiros-quilômetros transportados (RPK), caiu 2,2% em maio na comparação anual, aprofundando a retração observada em abril. Segundo o Safra, o desempenho reflete os impactos das interrupções provocadas pelo conflito envolvendo o Irã e da alta dos preços do petróleo, fatores que reduziram a atividade em diversos mercados.

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Nos Estados Unidos, um dos principais mercados para os jatos E1 da Embraer, o tráfego doméstico recuou 1,9% em maio na comparação anual. No Oriente Médio, a contração foi ainda mais intensa, de 28%. Em contrapartida, o mercado doméstico brasileiro continuou apresentando desempenho positivo, com crescimento de 2,8%, indicando uma demanda mais resiliente no país.

Na avaliação do Safra, o conjunto dos indicadores reforça um quadro de curto prazo mais desafiador para a Embraer. Apesar da melhora no mix de entregas, a desaceleração do volume e a fraqueza do tráfego aéreo internacional sugerem que a companhia poderá depender de uma aceleração das entregas na segunda metade do ano para cumprir sua orientação anual.

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