No início da semana, a Stone (STNE) anunciou a distribuição integral dos recursos da venda da Linx por meio de dividendos, com a ação passando a negociar ex-dividendos a partir de 24 de abril, com um dividend yield de 17%.
O BTG Pactual (BPAC11) elogiou a decisão da companhia de remunerar os acionistas. Apesar disso, os analistas informaram que a reação do mercado foi tímida e decepcionante, com os papéis da Stone subindo apenas 2% no pregão de ontem (15), diante da relevância da notícia.
“Diante desse contexto, foi decepcionante ver a ação subir apenas 2% no dia com a notícia. Isso pode refletir investidores desistindo da tese, ou uma reação negativa à mensagem recente da companhia sobre os resultados do primeiro trimestre de 2026”, avaliou o BTG em relatório.
A ação da Stone continua barata
O BTG sustenta que o papel negocia abaixo de 6 vezes preço sobre lucro em uma base ajustada, desconsiderando os efeitos da Linx, patamar que o banco classifica como claramente descontado para os fundamentos que a companhia entrega.
Segundo os analistas, o argumento de valuation, contudo, não tem sido suficiente para convencer o mercado, onde uma reprecificação mais consistente depende de evidências concretas de melhora operacional.
O problema está na operação
A principal ressalva do BTG em relação a Stone está na operação da companhia. O banco de investimentos aponta que o TPV no segmento de pequenas e médias empresas deve ficar praticamente estável na comparação anual no primeiro trimestre, com pressão em churn e execução comercial ainda aquém do necessário.
Em reunião com o CFO da Stone, o BTG ouviu que a companhia não identificou um único fator dominante para a piora.
“A empresa vem tentando melhorar a execução, reativar a força comercial e controlar custos, mas não identificou um único fator dominante para a piora — os problemas são distribuídos entre regiões, produtos e segmentos. Isso torna a recuperação mais complexa e gradual”, relatou o BTG Pactual, com base em reunião com o CFO da companhia.
Na carteira de crédito, o banco projeta deterioração da qualidade dos ativos, com inadimplência maior em operações de tíquete mais alto e desempenho fraco de safras recentes. O custo de risco deve superar os 17% registrados no quarto trimestre de 2025.
Leia também:
O 1T26 pode frustrar
Esse cenário lança dúvidas sobre os números do início do ano. O BTG projeta lucro líquido ajustado próximo de R$ 540 milhões no primeiro trimestre, potencialmente abaixo do consenso de mercado, com frustração estimada em cerca de 7%.
“Embora a mensagem do primeiro trimestre não seja muito diferente do que já era esperado, há dúvidas se a deterioração da qualidade d0os ativos pode afetar ainda mais o sentimento em relação à ação. O mercado parece cada vez menos disposto a pagar antecipadamente por uma recuperação que ainda não se materializou”, concluiu o BTG Pactual.






