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Dias nublados do Assaí devem durar mais do que o esperado

Dias nublados do Assaí devem durar mais do que o esperado

Novo preço-alvo de R$ 9,40 implica apenas 15% de upside, insuficiente para justificar recomendação de compra

O Banco Safra revisou para baixo as estimativas para o Assaí (ASAI3) e reduziu o preço-alvo das ações de R$ 10,00 para R$ 9,40 para o fim de 2026 — implicando potencial de valorização de apenas 15%. A recomendação permanece neutra. O diagnóstico dos analistas Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio é direto: “os dias nublados devem durar mais do que o esperado.”

A revisão incorpora novas premissas macroeconômicas, os resultados do quarto trimestre de 2025, o novo guidance de aberturas para 2026 e uma postura mais conservadora em relação ao crescimento das vendas nas mesmas lojas.

“Reduzimos nossa estimativa de SSS (lojas abertas no mínimo há 12 meses) para 2,1% em 2026, 1,7% em 2027 e 2,1% em 2028, contra 2,5%, 3% e 5,1% anteriores”, explicam os analistas – números que ficam consistentemente abaixo da inflação de alimentos esperada de 3,3% em 2026. O impacto é direto no resultado: queda de 19% no lucro por ação ajustado de 2026 e de 14% em 2027.

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Novas lojas

No plano de expansão, o corte também foi expressivo.

“Revisamos nossa premissa de abertura de lojas para 5 unidades em 2026 – 2027 e 10 em 2028, ante 10 e zero anteriormente”, destacam Pini, Granello e Sartorio. O capex (plano de investimentos) de R$ 700 milhões previsto para 2026 será sustentado principalmente pelo modelo built-to-suit, com foco no Sudeste.

O built-to-suit é um contrato de locação imobiliária de longo prazo, onde um investidor constrói ou reforma um imóvel sob medida para as necessidades específicas.

Um dado estrutural preocupa: 91% das lojas já atingiram maturidade, o que elimina o efeito de maturação como suporte às margens. Com esse colchão se esgotando, as alavancas operacionais passam a depender de marcas próprias, novas categorias como medicamentos e expansão de serviços financeiros para clientes B2B (Business to Business) e B2C (Business to Client).

O valuation tampouco favorece uma visão mais otimista.

“O Assaí negocia a 13 vezes o preço sobre o lucro (P/L) de 2026 e 9 vezes em 2027, comparado à média histórica de 17 vezes e ao nosso múltiplo-alvo implícito de 10,5 vezes”, calculam os analistas.

Com upside limitado, desalavancagem mais lenta — a relação dívida líquida/Ebitdadeve cair apenas 0,1 vez em cada um dos próximos dois anos — e SSS abaixo da inflação de alimentos, o Assaí ainda não reúne os elementos necessários para uma recomendação mais construtiva pelo Safra.