A Copasa (CSMG3) deu mais um passo importante rumo à privatização ao assinar a prorrogação de seu contrato de concessão em Belo Horizonte até 2073, segundo análise do Bradesco BBI. A assinatura do contrato incluiu o pagamento de uma taxa de concessão de R$ 1,3 bilhão (bônus de outorga) à Prefeitura de Belo Horizonte, a ser pago ao longo de três anos e incorporada à base de ativos regulatórios (RAB).
“Esta é uma notícia muito positiva para a Copasa. Além de atingir um marco importante no processo de privatização — aproximando-o significativamente —, o novo contrato confirma pontos regulatórios importantes que já eram esperados“, destacam os analistas Francisco Navarrete e Renato Chanes em relatório.
O novo contrato aborda e consolida aspectos regulatórios importantes, como a definição de uma metodologia pré-impostos para o cálculo dos futuros Custos Médios de Capital Regulatório (CMCR) — já aplicada na última revisão em dezembro —, o reconhecimento anual dos investimentos por meio de atualizações anuais da base de ativos regulatórios, que serão remunerados em cada reajuste tarifário anual, e o estabelecimento de ganhos de eficiência de despesas operacionais.
Taxa de concessão em linha com estimativas
Os analistas destacam que a taxa de concessão ficou alinhada com as projeções do banco.
“O pagamento de R$ 1,3 bilhão será reconhecido no RAB e pago ao longo de três anos. Isso está em linha com nossas estimativas (esperávamos cerca de R$ 1,4 bilhão, também pago ao longo de três anos)”, afirmam Navarrete e Chanes.
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A Copasa também resolverá um litígio movido pelo município, avaliado em aproximadamente R$ 300 milhões, que também será adicionado ao RAB.
Compartilhamento de ganhos de eficiência
Outro ponto importante confirmado foi a curva de compartilhamento da redução de despesas operacionais em futuras revisões tarifárias, com divisão entre consumidores e Copasa em 25% para os consumidores (75% para a Copasa), 50%, 75% e 90%.
“Nosso cenário base já assumia uma curva de 25% para os consumidores, 50%, 75% e 90%. Essa confirmação é importante, pois reforça os incentivos para a empresa reduzir custos, que são, em última instância, compartilhados com os consumidores”, pontuam os analistas.
No cenário base do BBI, os analistas assumem uma redução de custos de 40%.
Próximos passos
Os próximos passos incluem a publicação das regras da licitação, que devem ser divulgadas nos próximos dias. Paralelamente, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) tem solicitado alguns ajustes menores nas especificações da licitação, que já foram feitos.
“Não esperamos que o TCE apresente quaisquer obstáculos que possam impedir a privatização em abril“, afirmam Navarrete e Chanes.
Apesar dos avanços, o Bradesco BBI mantém recomendação neutra para a ação, com preço-alvo para o final de 2026 de R$ 61 por ação.
“Ainda assim, neste momento, mantemos uma recomendação apenas neutra para ação, com um preço-alvo para o final de 2026 de R$ 61,00 por ação, embora, como observamos anteriormente, a assinatura do contrato com Belo Horizonte tenha sido um dos fatores que esperávamos rever em relação à nossa posição sobre a Copasa”, concluem.
O fato relevante não menciona o cronograma para a oferta de privatização, mas, após a renovação da concessão de Belo Horizonte, o BBI espera que a oferta seja estruturada em breve.
“Os próximos passos incluem a publicação das regras da licitação, que devem ser divulgadas nos próximos dias. Paralelamente, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) tem solicitado alguns ajustes (menores) nas especificações da licitação, que, pelo que entendemos, já foram feitos”, finalizam os analistas.
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