Vários bancos de investimento iniciaram, nesta quarta-feira (17), a cobertura das ações da Compass (PASS3), controlada pela Cosan (CSAN3), com visão majoritariamente positiva para o papel.
Em comum, as análises destacam a combinação entre previsibilidade de receitas, proveniente das concessões de distribuição de gás, e um relevante potencial de crescimento associado à expansão do mercado livre no Brasil.
BTG Pactual: foco em previsibilidade
O BTG Pactual iniciou a cobertura da Compass com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38 por ação, indicando potencial de valorização estimado em cerca de 50%. Para o banco, a companhia se posiciona como um ativo resiliente dentro do setor de utilidades, com capacidade consistente de geração de retornos.
Os analistas destacam que a Compass controla concessões relevantes na região mais industrializada do país, incluindo ativos como Comgás e Necta em São Paulo, além de participação em outros estados estratégicos. Esse portfólio garante demanda estável e previsível, característica essencial para o modelo de negócios.
Outro ponto central da análise é a integração entre oferta e demanda no setor de gás. Ao combinar distribuição e infraestrutura de importação via GNL, a companhia se beneficia tanto da estabilidade regulada quanto da exposição ao crescimento do mercado, reforçando o caráter defensivo e ao mesmo tempo expansivo do ativo.
Bradesco BBI: tese estrutural com crescimento relevante
O Bradesco BBI também iniciou cobertura com recomendação de compra, estabelecendo preço-alvo de R$ 37 para o final de 2026. A casa vê a Compass como um dos principais veículos para capturar o crescimento estrutural do mercado de gás natural no Brasil.
Na avaliação do banco, a companhia oferece um equilíbrio entre fluxo de caixa previsível — derivado das concessões — e uma avenida relevante de crescimento via Edge, sua plataforma de comercialização. O terminal de GNL em Santos e a expansão planejada de volumes até 2030 são vistos como importantes vetores de valor.
O BBI ressalta ainda que a Compass negocia com desconto relevante em relação aos pares, o que não reflete plenamente suas perspectivas de crescimento. Entre os riscos apontados estão questões regulatórias e maior concorrência no setor, mas o balanço entre risco e retorno é considerado atrativo.
Itaú BBA: mercado subestima potencial da companhia
O Itaú BBA iniciou cobertura com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 35, o que implica potencial de valorização ao redor de 40%. Para o banco, o mercado ainda precifica a Compass como uma distribuidora tradicional de baixo crescimento, o que não captura sua real proposta de valor.
A avaliação do BBA destaca que a abertura do mercado livre de gás pode transformar o perfil da companhia, ampliando as oportunidades de crescimento além das concessões reguladas. Essa mudança estrutural tende a reposicionar a empresa dentro do setor.
Além disso, a combinação entre contratos de longo prazo, previsibilidade de receitas e maior exposição ao ambiente competitivo é vista como diferencial estratégico, capaz de destravar valor ao longo do tempo.
JPMorgan: combinação rara entre estabilidade e crescimento
O JPMorgan iniciou cobertura com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 34 por ação, reforçando a percepção positiva sobre o papel. Para o banco, a Compass apresenta uma combinação rara no setor de utilidades.
A instituição destaca que a base de receitas consolidada — proveniente das concessões de distribuição — garante fluxo de dividendos altamente previsível. Ao mesmo tempo, a empresa possui gatilhos relevantes de crescimento estrutural no longo prazo.
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