A XP Investimentos iniciou a cobertura das ações da Compass (PASS3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 36,70 por ação para o final de 2027, mostra um relatório enviado a clientes nesta terça-feira (23).
A tese se apoia em dois pilares complementares: a “âncora de valor”, representada pelo portfólio premium de distribuição de gás natural, e o “vento a favor”, simbolizado pela plataforma Edge e pelo terminal de regaseificação de GNL em Santos.
“A tese de investimento de PASS tem dois lados: a âncora de valor, com portfólio premium de distribuição de gás natural nas regiões economicamente mais desenvolvidas do Brasil, e o vento a favor, com a Edge oferecendo opcionalidade relevante para que a companhia entregue crescimento com retornos marginais bastante atrativos”, avaliaram os analistas Raul Cavendish, Regis Cardoso e Bruno Vidal, da XP.
A Compass controla e consolida Comgás, Sulgás, Necta e Compagas — ativos premium de distribuição nas regiões mais desenvolvidas do país, com presença populacional e industrial relevante e ainda subpenetrada.
Em conjunto, esses ativos representam 48% do market share do segmento de distribuição de gás natural no Brasil e respondem por 86% do NAV da companhia.
Com EBITDA recorrente de R$ 4,4 bilhões e alta conversão em fluxo de caixa livre, a base de ativos oferece previsibilidade e capacidade de sustentar dividendos.
Os analistas também veem potencial para uma eventual fusão das concessões da Necta e da Comgás, o que poderia destravar novas oportunidades de crescimento.
“Esses ativos oferecem uma base de fluxos de caixa previsíveis que pode sustentar dividendos ao mesmo tempo em que a Compass continua crescendo”, destacaram Cavendish, Cardoso e Vidal.
(Imagem: Divulgação/ Cosan)
Edge: motor de crescimento com retorno de 30%
A segunda parte da tese é a plataforma Edge, braço de comercialização de gás da Compass, sustentada pelo Terminal de Regaseificação de Santos (TRSP).
A XP estima capex adicional de apenas R$ 1,2 bilhão para que a plataforma entregue entre R$ 350 milhões e R$ 400 milhões em fluxos de caixa recorrentes adicionais — um retorno marginal de aproximadamente 30%.
O contrato ToP firmado com a Total já acumulou cerca de R$ 1,5 bilhão em resultados de otimização de cargas desde o início das operações do terminal.
“O acordo ToP que a Compass firmou com a Total já se mostrou acertado por meio de seus resultados acumulados de otimização de cargas, e os volumes marginais agora deverão ter impacto relevante para os investidores”, afirmaram os analistas.
Flexibilidade como vantagem competitiva estrutural
A XP destaca que a capacidade de oferecer GNL flexível a preços competitivos é uma vantagem competitiva central para a Compass no longo prazo.
O TRSP funcionará como facilitador para fornecimento de GNL off-grid a diversos segmentos da economia e como buffer para resultados estruturais de trading em situações de arbitragem de molécula.
A XP assume que a Compass alcance cerca de 2 milhões de m³/dia em contratos de GNL. Contudo, se a companhia completar os 3,8 milhões de m³/dia planejados, o valor adicional de equity pode chegar a R$ 3,5 bilhões.
“Continuamos vendo como vencedores do setor os players que possuem ativos com posicionamento competitivo e disponibilidade para oferecer gás flexível”, concluíram Raul Cavendish, Regis Cardoso e Bruno Vidal, reforçando a TIR real de 13% como sustentação da recomendação de compra.
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