A combinação entre um ambiente mais positivo para a siderurgia e a solidez financeira da Usiminas (USIM5) sustenta uma perspectiva mais construtiva para a companhia em 2026, segundo análise do BB Investimentos. O relatório incorpora os resultados do quarto trimestre de 2025, além de novas estimativas e premissas macroeconômicas e de commodities atualizadas.
“Avaliamos que o cenário à frente se mostra mais favorável para a companhia, o que pode continuar sustentando a recuperação das ações”, afirmam os analistas. As ações da empresa acumulam alta de 17,3% em 2026, desempenho inferior ao do Ibovespa, mas superior ao de outras siderúrgicas no período.
De acordo com o BB Investimentos, o movimento reflete tanto o momento positivo da bolsa brasileira quanto a melhora das expectativas para o setor de aço. Um dos principais fatores é a redução do excedente global, com queda de 10% nas exportações chinesas no primeiro trimestre de 2026 na comparação anual.
Os analistas também destacam o avanço das medidas de defesa comercial no Brasil, como a aplicação de direitos antidumping e a elevação das tarifas de importação. “Esses avanços tendem a sustentar uma melhora gradual do cenário ao longo do ano, abrindo espaço para reajustes de preços e um ambiente competitivo mais equilibrado”, dizem.
Usiminas e a expectativa de recuperação gradual
Apesar da visão mais positiva, o ambiente doméstico ainda apresenta desafios relevantes. Segundo o relatório, não há sinais claros de recuperação consistente da demanda por aço nos primeiros meses de 2026, o que mantém o cenário ainda pressionado no curto prazo.
Ainda assim, o BB Investimentos avalia que a combinação de menor pressão externa e medidas protecionistas pode favorecer o desempenho das siderúrgicas ao longo do ano. Esse cenário tende a abrir espaço para recomposição de preços e melhora gradual das margens.
A disciplina financeira segue como um dos principais destaques da companhia. Mesmo com prejuízo líquido de R$ 2,9 bilhões em 2025, impactado por impairment, a empresa gerou quase R$ 1 bilhão em fluxo de caixa livre e encerrou o período com caixa líquido.
“Esses indicadores, especialmente relevantes em um ambiente de elevadas incertezas e juros altos, podem suportar tanto a retomada do pagamento de dividendos quanto os investimentos planejados pela companhia”, afirmam os analistas. A alavancagem negativa reforça a solidez do balanço.
Para 2026, a estimativa de investimentos varia entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão, acima do registrado no ano anterior. A tese também considera uma recuperação gradual da demanda por aço e um melhor equilíbrio entre oferta e demanda global no longo prazo.
Entre os riscos, o BB Investimentos cita a manutenção da elevada penetração de aço importado no Brasil, além de um ritmo mais lento da atividade industrial. Também entram no radar possíveis quedas nos preços do aço e pressões de custo com matérias-primas e energia.






