A fraqueza recente das ações da C&A (CEAB3) pode ter sido excessiva após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, na avaliação do Bradesco BBI, que mantém visão construtiva para a companhia apesar do trimestre mais pressionado em vendas.
A leitura do banco ganha força ao se observar o comportamento dos papéis no mercado. As ações acumulam queda de cerca de 21,9% nos últimos seis meses, ainda que os papéis tenham valorização próxima de 42% em 12 meses.
Esse padrão — correção relevante no médio prazo, mas valorização no horizonte anual e retomada mais recente — sugere uma reprecificação mais ligada à volatilidade do trimestre do que a uma deterioração estrutural dos fundamentos, em linha com a interpretação do Bradesco BBI de que a reação do mercado ao 4T25 pode ter sido desproporcional.
No campo operacional, a C&A reportou receita líquida consolidada de R$ 2,47 bilhões no quarto trimestre, queda de 3,2% na comparação anual, impactada pela desaceleração das vendas, menor contribuição de serviços financeiros e pela descontinuação da categoria de eletrônicos, conforme o release de resultados da companhia.
Apesar da pressão no topo da linha, a companhia apresentou indicadores operacionais mais resilientes, com avanço da margem bruta do varejo, disciplina na gestão de capital de giro e forte geração de caixa, encerrando o período com posição de caixa líquido próxima de R$ 83,7 milhões e lucro líquido ajustado de R$ 269,8 milhões no trimestre.
Resultado do 4T25 mostra desaceleração nas vendas, mas indicadores operacionais seguem resilientes
O principal ponto de atenção do trimestre foi a desaceleração das vendas de mesmas lojas, que passaram de alta de 8,1% no trimestre anterior para leve queda de 0,3% no 4T25, com um arrefecimento da demanda em um ambiente mais competitivo e promocional.
Segundo o BBI, esse movimento também refletiu desafios operacionais pontuais, como desequilíbrios no sortimento e condições climáticas menos favoráveis, que afetaram o desempenho do vestuário.
A receita líquida consolidada recuou 3,2% na comparação anual, pressionada não apenas pela menor dinâmica de vendas, mas também pela redução da atividade em serviços financeiros e pela descontinuação da categoria de eletrônicos, em linha com a estratégia de reposicionamento do portfólio.
Ainda assim, a execução operacional apresentou sinais positivos relevantes. A companhia avançou na expansão da margem bruta do varejo, impulsionada por iniciativas de precificação, melhor gestão de mix e pelo reposicionamento das categorias, especialmente em Beleza e demais segmentos de maior valor agregado.
“Os resultados do trimestre refletem desafios pontuais, como desequilíbrios no sortimento, ambiente promocional mais intenso, clima menos favorável e maior competição — fatores que pressionaram o desempenho do vestuário e interromperam a trajetória de mais de dois anos de ganho de produtividade frente aos pares”, afirmaram os analistas do Bradesco BBI.
Além disso, o EBITDA ajustado permaneceu alinhado às estimativas, com margem de 17,4%, indicando que, mesmo com a pressão nas vendas, a companhia conseguiu preservar eficiência operacional relativa. O controle de despesas e a disciplina estratégica associada à execução da Estratégia Energia também contribuíram para mitigar parte dos impactos do trimestre mais fraco.
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Fluxo de caixa forte, desalavancagem e valuation sustentam tese de reação excessiva das ações
Um dos principais destaques positivos do período foi a forte geração de caixa e a melhora consistente na estrutura de capital. A C&A reduziu a dívida líquida em aproximadamente R$ 175 milhões no comparativo trimestral, encerrando o 4T25 com posição de caixa líquido.
O fluxo de caixa operacional permaneceu robusto, beneficiado pela evolução do capital de giro e pela disciplina na gestão financeira, fatores que, segundo o banco, sustentam a tese de melhoria estrutural da operação ao longo do ciclo.
“Ainda assim, vemos sinais construtivos no avanço da margem bruta, na disciplina de capital de giro e no fluxo de caixa robusto, que reforçam a resiliência do modelo operacional. Acreditamos que uma eventual normalização das vendas de mesmas lojas no início de 2026 será determinante para dissipar as preocupações deixadas pelo trimestre mais volátil”, destacaram os analistas do Bradesco BBI.
Na visão da casa, o atual nível de valuation também contribui para uma assimetria favorável ao investidor. A ação negocia a cerca de 8,5 vezes o lucro estimado para 2026, patamar considerado descontado frente à melhora estrutural da operação e ao potencial de monetização dos ganhos de eficiência conforme o ambiente competitivo e climático se estabilize.
“Caso esse cenário de normalização se confirme, entendemos que a fraqueza recente no desempenho das ações pode ter sido excessiva, especialmente considerando o valuation atual e a melhoria estrutural da operação”, concluem os analistas, mantendo uma visão construtiva de médio prazo para a companhia.






