Quando o BTG Pactual (BPAC11) decide girar sua Carteira de Small Caps, o mercado costuma prestar atenção. Na atualização de fevereiro, o banco deixou isso claro ao incluir Vitru (VTRU3) e C&A (CEAB3) no portfólio — duas empresas de setores distintos, mas unidas por uma mesma característica: entregaram eficiência operacional, geração de caixa e valuation descontado em um momento em que promessas já não bastam.
Em um ambiente ainda marcado por incertezas macroeconômicas e com um ano eleitoral no radar, o BTG Pactual passou a privilegiar empresas que já entregam resultados operacionais, com foco em eficiência, geração de caixa e valuation comprimido, em detrimento de narrativas baseadas apenas em crescimento futuro.
O que mudou na Carteira Small Caps do BTG em fevereiro
A principal mudança da carteira foi a entrada de Vitru (VTRU3) e C&A (CEAB3), enquanto Unifique (FIQE3) e Vivara (VIVA3) deixaram o portfólio. A composição segue diversificada, mas o giro revela um ajuste claro na régua de seleção do banco.
Segundo o BTG, a decisão reflete uma busca por empresas com fundamentos mais sólidos em um cenário que exige maior disciplina operacional.
“A atualização da carteira reflete nossa preferência por empresas com geração de caixa mais visível, balanços menos alavancados e valuation que ainda não incorpora plenamente a melhora operacional”, afirma o BTG Pactual em relatório sobre a carteira de small caps de fevereiro.
A tese por trás do giro: eficiência, caixa e valuation
O relatório deixa explícito que a mudança não está associada a uma leitura pontual de mercado, mas a um critério mais estrutural. O banco passou a priorizar companhias menos dependentes de um ambiente macro favorável e mais ancoradas em execução.
“Em um cenário mais seletivo para small caps, priorizamos empresas que já demonstraram capacidade de execução, com eficiência operacional e geração de caixa suficientes para reduzir risco financeiro e sustentar um potencial de reprecificação”, destaca o BTG.
Essa leitura ajuda a explicar por que o banco promoveu um giro pontual, sem alterar de forma relevante o perfil de risco da carteira.
Por que a Vitru se encaixa nessa nova leitura
A entrada da Vitru está diretamente ligada ao avanço da companhia em desalavancagem e geração de caixa. O banco avalia que a empresa conseguiu atravessar um período de ajustes no setor educacional preservando fundamentos e melhorando a qualidade do balanço.
“A Vitru vem passando por um processo consistente de desalavancagem, sustentado por forte geração de caixa, além de ganhos estruturais após a reorganização societária. A companhia negocia a múltiplos que ainda não refletem plenamente a melhora dos fundamentos”, afirma o BTG Pactual.
O relatório também destaca a mudança estrutural do setor educacional, que passou a priorizar eficiência e disciplina de capital após anos de crescimento via aquisições.
“O setor de educação entrou em uma fase mais disciplinada, com foco em eficiência operacional, preservação de caixa e menor apetite por M&A, o que favorece empresas com execução comprovada”, avalia o banco.
C&A: eficiência operacional como motor da tese
No caso da C&A, a tese vai além de uma eventual recuperação do consumo. O BTG aponta que a companhia vem avançando em execução operacional, com impacto direto sobre margens e rentabilidade.
“A C&A tem apresentado melhora consistente em eficiência operacional, com avanço de vendas por metro quadrado, ajustes de mix e uso mais dinâmico de preços, o que permite sustentar margens mesmo em um ambiente de consumo mais desafiador”, afirma o BTG.
Para o banco, a combinação entre execução e valuation ainda descontado cria uma assimetria interessante dentro do universo de small caps.
“Acreditamos que os múltiplos atuais ainda não refletem totalmente a melhora operacional da companhia, o que abre espaço para reprecificação à medida que os resultados se consolidem”, destaca o relatório.
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O que essa movimentação revela sobre a estratégia do BTG para small caps
Ao incluir Vitru e C&A, o BTG sinaliza uma estratégia mais exigente para small caps, com menor tolerância a histórias baseadas apenas em crescimento futuro. A preferência passa a ser por empresas que já entregaram resultados, reduziram risco financeiro e apresentam valuation atrativo frente aos fundamentos.
“Nossa abordagem para small caps tem privilegiado empresas que já provaram sua capacidade de execução e apresentam melhor equilíbrio entre risco e retorno em um cenário mais volátil”, afirma o banco.






