A Camil (CAML3) encerrou o quarto trimestre do ano fiscal 2025 – período de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026 – com receita líquida de R$ 2,5 bilhões, queda de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O recuo foi pressionado principalmente pela deterioração dos preços de arroz e açúcar ao longo do trimestre. Apesar disso, a companhia surpreendeu no campo da rentabilidade, com a margem bruta expandindo quase 400 pontos-base em base anual, chegando a 21,7%.
O lucro bruto cresceu 2% na comparação anual e ficou 5% acima das estimativas da XP Investimentos, puxado sobretudo pela operação brasileira. A margem bruta do Brasil saltou de 16% no 4T24 para 21,3% no 4T25, ficando 130 pontos-base acima do projetado pelos analistas da corretora.
O desempenho reforça a resiliência operacional da companhia mesmo em um ambiente de preços desfavorável.
Ebitda e despesas
No entanto, a leitura dos resultados abaixo do lucro bruto exige cautela. O Ebitda ajustado alcançou R$ 193 milhões, estável em relação ao ano anterior e 2% acima das estimativas da XP.
O problema é que esse número foi beneficiado por R$ 55,4 milhões em itens não recorrentes, majoritariamente relacionados à revisão de cálculos de créditos de PIS/COFINS vinculados à cesta básica. Sem esse efeito, o Ebitda teria ficado 27% abaixo das projeções da XP e recuado 29% na comparação anual.
Do lado das despesas, os gastos com SG&A (Despesas com Vendas, Gerais e Administrativas) no Brasil subiram R$ 59 milhões em base anual, parcialmente explicados por contratações de consultorias ao longo do trimestre — outro efeito não recorrente que adiciona ruído à análise do resultado. A XP informou que buscará esclarecimentos adicionais na teleconferência de resultados.
O fluxo de caixa livre (FCF) foi positivo em aproximadamente R$ 880 milhões, refletindo a sazonalidade típica do período, mas ficou abaixo da estimativa de R$ 1 bilhão da corretora, devido a uma liberação de estoques menor do que o esperado.
Diante da qualidade questionável dos resultados e da incerteza sobre a dinâmica de preços do arroz à frente, a XP avalia que o balanço do trimestre não deve funcionar como catalisador relevante para as ações da Camil.
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