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BTG vê espaço para alta nas ações da Petrobras e possibilidade de dividendos extraordinários

BTG vê espaço para alta nas ações da Petrobras e possibilidade de dividendos extraordinários

O relatório destaca que os recibos de ações da Petrobras negociados nos Estados Unidos, os ADRs, chegaram a registrar alta de cerca de 5% no pré-mercado

As ações da Petrobras (PETR4) ainda teriam espaço para subir entre 20% e 25% antes que a avaliação dos papéis passe a representar uma preocupação mais relevante para os investidores, segundo análise do BTG Pactual divulgada após o resultado do primeiro turno da eleição presidencial.

O relatório destaca que os recibos de ações da Petrobras negociados nos Estados Unidos, os ADRs, chegaram a registrar alta de cerca de 5% no pré-mercado, em reação ao resultado eleitoral. Para o banco, além do movimento das ações, a companhia reúne uma série de possíveis catalisadores que podem sustentar a tese de investimento nos próximos meses.

Entre eles estão uma eventual elevação dos preços dos combustíveis, que poderia contribuir para recuperar a confiança dos investidores na política de preços da estatal; resultados robustos no terceiro trimestre de 2026, acompanhados de uma possível revisão para cima das projeções para o ano; e um novo plano estratégico para os próximos cinco anos, previsto para ser divulgado em 23 de novembro.

O BTG fez uma análise de sensibilidade considerando diferentes níveis para o preço das ações da Petrobras e o petróleo Brent a US$ 80 por barril.

No cenário em que as ações sobem 5%, o banco calcula um retorno sobre o fluxo de caixa ao acionista (FCFE) de 16,7% nos próximos 12 meses, enquanto o dividend yield projetado é de 11,4%. Para 2027, os indicadores seriam de 16% e 11%, respectivamente.

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Mesmo com uma valorização de 25% das ações, o BTG estima FCFE de 14% nos próximos 12 meses e dividend yield de 9,5%. Para 2027, os números seriam de 13,4% e 9,2%.

No cenário mais extremo analisado, de alta de 30% das ações, o retorno estimado sobre o FCFE ainda seria de 13,5% nos próximos 12 meses, com dividend yield de 9,2%. Para 2027, os indicadores cairiam para 12,9% e 8,8%.

Segundo o banco, as grandes empresas globais de petróleo estão sendo negociadas atualmente com um retorno ao acionista de aproximadamente 8%, considerando dividendos e recompras de ações.

Petróleo acima de US$ 90 pode gerar caixa adicional

Outro ponto destacado pelo BTG é a capacidade da Petrobras de acumular caixa caso os preços do petróleo permaneçam elevados.

O banco afirma que a companhia vem retendo recursos para reduzir a dívida bruta em direção à meta de aproximadamente US$ 65 bilhões. No segundo trimestre de 2026, a dívida estava em cerca de US$ 71 bilhões, enquanto o limite estabelecido pela empresa é de US$ 75 bilhões.

Caso o Brent permaneça acima de US$ 90 por barril nos próximos meses, o BTG considera muito provável que a Petrobras acumule caixa excedente.

Esse dinheiro, segundo a análise, poderia posteriormente ser devolvido aos acionistas por meio de dividendos extraordinários.

Mudança de governo: sem grandes alterações na Petrobras

Na avaliação do BTG, uma eventual mudança no governo federal não necessariamente provocaria transformações imediatas na Petrobras. O banco afirma que mudanças relevantes na companhia poderiam levar tempo para serem implementadas e para produzir efeitos sobre os resultados operacionais e financeiros.

Nesse cenário, o BTG considera que os principais fatores para o desempenho das ações continuam sendo o preço dos papéis, as cotações do petróleo e os spreads dos combustíveis.

Uma eventual redução do risco-país e, consequentemente, do custo de capital da Petrobras também poderia contribuir para uma reavaliação dos papéis, especialmente por se tratar de uma companhia controlada pelo Estado.

Desinvestimentos podem voltar ao radar

Para o BTG, uma das mudanças que poderia ocorrer sob um governo diferente seria a retomada do programa de desinvestimentos da Petrobras.

A venda de ativos poderia abrir espaço para dois destinos para os recursos: a distribuição de dividendos extraordinários aos acionistas ou o financiamento de novos investimentos, incluindo projetos na chamada margem equatorial.

O banco já havia abordado esses pontos em relatório divulgado em 10 de setembro, intitulado “Petrobras – A Stronger Petrobras Enters the Debate”, no qual também analisou perspectivas para despesas operacionais, investimentos, desinvestimentos e o impacto do custo de capital sobre o preço-alvo da companhia.

Para o BTG, o desempenho operacional, o cenário de preços do petróleo e a geração de caixa mantêm a Petrobras no centro das atenções dos investidores enquanto o mercado acompanha os próximos passos da companhia e os possíveis efeitos do cenário político sobre sua estratégia.

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